PMC - Prefeitura Municipal de Curitiba / SMS (PR) — Prova 2018
Mulher de 75 anos, apresentando quadro de Alzheimer há aproximadamente 9 anos, sendo que há um ano está acamada, não comunicativa (gemente) e com perda do controle esfincteri- ano. A cuidadora, durante visita domiciliar apresenta-se angustiada, achando que a mãe está muito emagrecida e pergunta se não deveria se alimentar por sonda. Durante todo o período de acamamento, não apresentou úlceras, pneumonias ou outras complicações. Em relação à nutrição da paciente e às vias de administração, assinale a alternativa correta.
Demência avançada: priorizar via oral com adaptações, evitando intervenções invasivas desnecessárias e distanásia.
Em pacientes com demência avançada, a alimentação por via oral, mesmo que adaptada e com ritmo respeitado, é preferível à nutrição artificial invasiva. Esta última, como a gastrostomia, não melhora a sobrevida nem a qualidade de vida, e pode aumentar riscos e desconforto, configurando distanásia.
A demência avançada, como no caso de Alzheimer terminal, impõe desafios complexos na tomada de decisões clínicas, especialmente em relação ao suporte nutricional. É fundamental compreender que, nesta fase, o objetivo principal dos cuidados muda de cura para conforto e qualidade de vida, alinhando-se aos princípios dos cuidados paliativos. A progressão da doença leva a disfagia e perda de peso, gerando angústia nos cuidadores. A fisiopatologia da demência avançada implica uma deterioração irreversível das funções cognitivas e motoras, incluindo a capacidade de deglutição. A nutrição artificial, seja por sonda nasoenteral ou gastrostomia, tem sido amplamente estudada neste contexto e não demonstrou benefícios em termos de sobrevida, prevenção de aspiração ou melhora do estado funcional. Pelo contrário, pode aumentar o risco de infecções, agitação e desconforto. Portanto, a conduta mais adequada é priorizar a alimentação por via oral, com adaptações como consistência modificada, pequenas porções, ambiente tranquilo e respeito ao ritmo do paciente. É crucial o diálogo com a família e cuidadores, explicando os limites das intervenções e os princípios da ortotanásia, evitando a distanásia. O foco deve ser no conforto, na dignidade e na manutenção da conexão humana através do ato de alimentar.
A gastrostomia em demência avançada não previne aspiração, não melhora o estado nutricional nem a sobrevida, e pode causar complicações como infecções, dor e agitação, além de restringir a liberdade do paciente.
A manutenção da via oral, com adaptações e respeito ao ritmo do paciente, preserva o prazer da alimentação, minimiza o desconforto e evita intervenções invasivas que não trazem benefícios significativos, alinhando-se aos princípios dos cuidados paliativos.
Distanásia refere-se à prolongação artificial da vida de um paciente em fase terminal, com sofrimento desnecessário e sem perspectiva de melhora, através de intervenções médicas fúteis, como a nutrição artificial invasiva em demência avançada.
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