SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2025
Um homem de 88 anos de idade compareceu ao pronto‑socorro, trazido pela esposa, que relatou que o cônjuge possui Alzheimer. Nos últimos meses, evoluiu com piora cognitiva progressiva e diminuição da aceitação oral. O paciente fazia acompanhamento ambulatorial com neurologista, que já havia afirmado a progressão da doença. O paciente é totalmente dependente para executar atividades básicas e, nos últimos meses, ele encontra‑se acamado. Ao exame físico: paciente severamente desidratado; emagrecido; perfusão periférica limítrofe; FC 112; PA 85 x 55 mmHg; glicemia 88; não contactuante; sonolento; e reage apenas a estímulo tátil.Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Demência avançada terminal → Foco em conforto, decisão compartilhada, evitar medidas invasivas sem benefício.
Em pacientes com demência avançada em fase terminal, a prioridade é o conforto e a dignidade. Medidas invasivas como intubação ou nutrição artificial não prolongam a vida com qualidade e podem aumentar o sofrimento, sendo contraindicadas. A decisão deve ser compartilhada com a família, respeitando as diretivas antecipadas do paciente.
A demência avançada representa um desafio complexo na prática médica, especialmente na fase final da vida. Nesses estágios, a doença neurodegenerativa leva à dependência total, perda da capacidade de comunicação e disfunção orgânica progressiva. A prevalência de demência aumenta exponencialmente com a idade, e o manejo adequado da terminalidade é crucial para garantir dignidade e conforto ao paciente. O diagnóstico de terminalidade em demência avançada é clínico, baseado na progressão da doença, declínio funcional e presença de sinais de falência orgânica. A fisiopatologia envolve a degeneração neuronal extensa, levando à incapacidade de manter funções vitais. A suspeita deve surgir quando há piora rápida do estado geral, desidratação, hipotensão e reatividade mínima, indicando que o paciente está nos últimos momentos de vida. A conduta mais adequada foca em cuidados paliativos, priorizando o conforto e a qualidade de vida. Isso inclui o manejo da dor e outros sintomas, hidratação oral se aceita, e evitar procedimentos invasivos (intubação, nutrição artificial, exames desnecessários) que não oferecem benefício e podem causar sofrimento. A decisão deve ser compartilhada com a família, respeitando as diretivas antecipadas do paciente e os princípios bioéticos de beneficência, não maleficência, autonomia e justiça.
Sinais incluem piora cognitiva progressiva, dependência total para atividades básicas, acamamento, diminuição da aceitação oral, desidratação severa, hipotensão e reatividade reduzida a estímulos.
As diretivas antecipadas de vontade, quando existentes, guiam as decisões médicas. Na ausência delas, a família, em conjunto com a equipe médica, deve tomar decisões compartilhadas que reflitam os valores e desejos prévios do paciente.
A nutrição artificial não demonstrou prolongar a vida ou melhorar a qualidade de vida em pacientes com demência avançada terminal. Pode, inclusive, aumentar o risco de complicações como pneumonia aspirativa e desconforto.
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