UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026
Mulher de 63 anos, viúva há dois anos, sofrendo de doença de Alzheimer, reside com a filha única de 40 anos. Nos últimos dois anos, tem se recusado a sair da cama, come pouco, quase não interage e apresenta feridas de decúbito. Nos momentos de lucidez, queixa-se de dor, expressando vontade de morrer. O médico de família realiza visita domiciliar e, além de tratar a dor, identifica como prioridade(s) no plano de cuidados integrais:
Demência avançada + recusa alimentar + dor = Foco em conforto e suporte social.
Em estágios avançados de Alzheimer, o foco migra da cura para a paliação, priorizando o controle de sintomas e o suporte à rede familiar para evitar a distanásia.
A Doença de Alzheimer em estágio avançado (FAST 7) caracteriza-se por perda total da autonomia, incontinência e complicações como lesões por pressão. O manejo deve ser pautado nos princípios dos cuidados paliativos, onde a qualidade de vida e o alívio do sofrimento prevalecem sobre intervenções curativas ou prolongadoras da vida. A abordagem biopsicossocial é fundamental, pois o sofrimento da paciente está intrinsecamente ligado à capacidade de cuidado da família. O suporte social, mencionado na alternativa correta, visa fortalecer a rede de apoio da filha única, que apresenta sinais de sobrecarga, garantindo que a paciente receba cuidados dignos no domicílio. O tratamento da dor é o primeiro passo, mas a manutenção da dignidade através do suporte social e maximização do bem-estar completa o ciclo de cuidado integral preconizado pela Estratégia Saúde da Família.
Estudos mostram que a gastrostomia ou sonda nasoenteral em pacientes com demência avançada não prolonga a sobrevida, não previne pneumonia aspirativa nem melhora a cicatrização de escaras, sendo a alimentação oral de conforto a preferência.
Deve-se avaliar se o desejo decorre de dor não controlada, depressão ou sofrimento existencial. O foco deve ser o alívio sintomático impecável e o suporte psicológico, respeitando a autonomia dentro dos limites legais.
É o estresse físico, emocional e financeiro enfrentado por quem cuida. No caso de filha única, o risco de burnout é alto, exigindo que o plano de cuidados inclua suporte social e pausas assistidas.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo