Cuidados Paliativos em Paciente Idoso Terminal: Conduta

ENARE/ENAMED — Prova 2022

Enunciado

Um paciente de 85 anos, acamado há 2 anos e com quadro de demência há 1 ano, foi diagnosticado com múltiplos nódulos pulmonares e lesão expansiva no cólon, sendo internado com quadro de dispneia intensa e saturação de O2 de 79%. O paciente já não responde a estímulos verbais há alguns dias e está acompanhado da filha. Qual é a melhor conduta a ser tomada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Instalar oxigenoterapia ao paciente e conversar com a filha sobre estabelecer cuidados paliativos a ele, tendo em vista suas condições clínicas prévias e a provável complicação de um câncer de cólon metastático sem indicação de tratamento cirúrgico. 
  2. B) Solicitar o carrinho de parada, preparar tubo orotraqueal, administrar propofol e etomidato e proceder intubação orotraqueal em sequência rápida.
  3. C) Instalar oxigenoterapia, solicitar exames laboratoriais para investigação de possível sepse e solicitar biópsia com urgência para diagnosticar e tratar o provável câncer de pulmão.
  4. D) Instalar oxigenoterapia e orientar a filha sobre a indicação de intubação e cuidados paliativos em seguida do procedimento.
  5. E) Oferecer oxigenoterapia, conversar com a filha sobre cuidados paliativos devido à demência e orientar sobre o provável diagnóstico de 2 tipos de câncer associados – câncer de pulmão e de cólon – com indicação cirúrgica em 2 tempos.

Pérola Clínica

Paciente idoso, demência avançada, câncer metastático, dispneia grave → Foco em conforto e cuidados paliativos, decisão compartilhada com família.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença avançada e prognóstico reservado, como idosos com demência e câncer metastático, a prioridade muda de cura para conforto. A discussão sobre cuidados paliativos e o estabelecimento de metas de cuidado realistas, com a família, é fundamental para evitar intervenções fúteis e garantir dignidade.

Contexto Educacional

Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias diante de doenças que ameaçam a vida. No contexto de pacientes idosos com demência avançada e múltiplas comorbidades, como câncer metastático, a importância dos cuidados paliativos é central. A epidemiologia mostra um aumento da prevalência de doenças crônicas e degenerativas na população idosa, tornando a discussão sobre o fim de vida e a ortotanásia cada vez mais relevante na prática médica. A fisiopatologia da dispneia em pacientes terminais pode ser multifatorial, incluindo progressão da doença oncológica, insuficiência cardíaca ou pulmonar. O diagnóstico nesses casos foca na avaliação do sofrimento e na identificação de sintomas passíveis de alívio. Deve-se suspeitar da necessidade de cuidados paliativos quando há uma doença incurável, progressiva, com prognóstico limitado e grande carga de sintomas, ou quando o paciente expressa o desejo de focar no conforto. O tratamento em cuidados paliativos é focado no controle de sintomas, como a dispneia, que pode ser aliviada com oxigenoterapia, opioides e ansiolíticos. O prognóstico é discutido abertamente com a família, e as metas de cuidado são estabelecidas de forma compartilhada, priorizando a dignidade e o conforto do paciente. É crucial evitar a obstinação terapêutica e garantir que as intervenções estejam alinhadas com os valores e desejos do paciente e da família.

Perguntas Frequentes

Quais são os princípios dos cuidados paliativos em pacientes terminais?

Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam doenças que ameaçam a vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, identificação precoce, avaliação impecável e tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais.

Quando iniciar a discussão sobre cuidados paliativos?

A discussão sobre cuidados paliativos deve ser iniciada o mais cedo possível no curso da doença, especialmente quando o prognóstico é reservado ou a doença é avançada, permitindo que o paciente e a família participem ativamente das decisões.

Qual o papel da família na tomada de decisão em pacientes com demência avançada?

Em pacientes com demência avançada que não conseguem expressar suas vontades, a família (ou o responsável legal) desempenha um papel crucial na tomada de decisões, agindo como procurador de saúde e buscando honrar os valores e desejos previamente expressos pelo paciente, ou o que seria de seu melhor interesse.

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