SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2018
Durante visita domiciliar, você avalia um senhor de 53 anos com câncer de pulmão em estágio avançado, sem proposta terapêutica curativa. O paciente está consciente, apresenta discurso lúcido e está orientado quanto ao prognóstico de sua doença, sem demonstrar dificuldades de aceitação. Queixa-se de dispneia progressiva na última semana que chega a ocorrer em repouso e, atualmente, pontua 7 na escala de Borg modificada (0 sem dispneia; 10 dispneia máxima). Ao exame físico, sentado, apresenta-se emagrecido, PA = 110 x 80 mmHg, pulso = 96 bpm, frequência respiratória = 24 irpm, SpO2 93% e expansão torácica diminuída simetricamente, com dor à inspiração profunda. Ausculta respiratória apresenta diminuição do murmúrio vesicular em bases. Vem em uso de codeína de 8/8h. Qual a próxima conduta para melhorar o controle da dispneia do paciente?
Dispneia refratária em câncer avançado → otimizar opioides (morfina oral 4/4h) é primeira linha.
Em pacientes com câncer avançado e dispneia refratária, a otimização da terapia opioide é a conduta mais eficaz para o controle sintomático. A morfina oral em doses regulares é superior à codeína para o manejo da dispneia nesse contexto, especialmente quando a dispneia é intensa e em repouso.
A dispneia é um sintoma comum e angustiante em pacientes com câncer avançado, especialmente de pulmão, afetando significativamente a qualidade de vida. O manejo eficaz da dispneia é um pilar fundamental dos cuidados paliativos, visando proporcionar conforto e dignidade ao paciente. A prevalência da dispneia aumenta com o avanço da doença, e sua abordagem requer uma avaliação cuidadosa e individualizada. A fisiopatologia da dispneia em câncer é multifatorial, envolvendo obstrução das vias aéreas, derrame pleural, anemia, caquexia, linfangite carcinomatosa e ansiedade. A avaliação inclui a escala de Borg modificada para quantificar a intensidade. O tratamento farmacológico é essencial, e os opioides são a primeira linha para dispneia refratária. Eles atuam no centro respiratório, diminuindo a percepção da dispneia e a ansiedade associada. A morfina é o opioide de escolha devido à sua eficácia e perfil de segurança. Para o tratamento, a substituição de opioides fracos (como a codeína) por opioides potentes (como a morfina) em doses regulares é a conduta mais apropriada para controle da dispneia intensa. A oxigenioterapia é útil em casos de hipoxemia, mas não é a primeira escolha para dispneia sem hipoxemia significativa. Broncodilatadores são indicados apenas se houver evidência de broncoespasmo. O residente deve dominar a escalada de opioides e a abordagem multidisciplinar para o manejo da dispneia em cuidados paliativos.
Opioides, como a morfina, são a primeira linha para o manejo da dispneia refratária em pacientes com câncer avançado, pois atuam no sistema nervoso central diminuindo a percepção da dispneia e a ansiedade associada.
A morfina tem maior potência analgésica e antitussígena, além de ser mais eficaz na redução da sensação de dispneia em comparação com a codeína, que é um pró-fármaco com efeito mais limitado.
A oxigenioterapia é indicada principalmente quando há hipoxemia (SpO2 < 90%) ou para pacientes que relatam alívio sintomático, mesmo sem hipoxemia, mas não é a primeira escolha para dispneia refratária sem hipoxemia significativa.
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