MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma paciente de 72 anos, com diagnóstico de neoplasia de mama metastática (ossos e pulmão) em acompanhamento exclusivo pela equipe de Cuidados Paliativos, apresenta-se ao pronto atendimento com queixa de falta de ar progressiva há dois dias, ocorrendo mesmo em repouso. Ao exame físico, encontra-se lúcida, orientada, com frequência respiratória de 26 incursões por minuto e saturação de oxigênio de 91% em ar ambiente. Não há sinais de congestão pulmonar ou broncoespasmo à ausculta. A paciente relata que o sintoma gera grande angústia e sensação de sufocamento. Com base nos princípios de controle de sintomas em Cuidados Paliativos, a conduta inicial mais adequada para o alívio da dispneia desta paciente é:
Dispneia no fim da vida sem causa reversível → Morfina em doses baixas é a 1ª escolha.
A morfina reduz a percepção subjetiva de dispneia e o esforço respiratório, sendo o padrão-ouro para alívio sintomático em pacientes paliativos, mesmo sem hipoxemia grave.
A dispneia é um dos sintomas mais angustiantes e prevalentes em pacientes com câncer avançado. Diferente da insuficiência respiratória aguda em cenários curativos, o foco nos cuidados paliativos é o alívio do sofrimento subjetivo. A fisiopatologia da dispneia paliativa envolve um descompasso entre o comando central respiratório e a capacidade mecânica dos pulmões, muitas vezes agravada pela ansiedade. Evidências robustas sustentam o uso de opioides, especialmente a morfina, como intervenção farmacológica de primeira linha. Além disso, medidas não farmacológicas, como o posicionamento adequado, técnicas de relaxamento e o uso de fluxo de ar na face, complementam o tratamento. O objetivo é garantir a dignidade e o conforto, evitando intervenções invasivas que não alteram o prognóstico e podem aumentar o desconforto da paciente.
A morfina atua reduzindo a sensibilidade do centro respiratório ao CO2, diminuindo a percepção cortical de falta de ar (angústia respiratória) e reduzindo o consumo de oxigênio pelo miocárdio e músculos respiratórios. Em doses baixas, ela promove conforto sem causar depressão respiratória clinicamente significativa em pacientes terminais.
Não. O oxigênio suplementar só traz benefício claro se o paciente estiver hipoxêmico (SatO2 < 90%). Para pacientes não hipoxêmicos, o uso de um ventilador de mão (fan) direcionado ao rosto pode ser tão eficaz quanto o oxigênio para reduzir a sensação de dispneia, sem os incômodos do cateter nasal.
Em pacientes virgens de opioides, doses baixas como 2,5 mg a 5 mg de morfina por via oral (ou 1-2 mg via subcutânea/IV) a cada 4 horas são geralmente seguras. Doses de resgate podem ser utilizadas para crises de dispneia, sempre monitorando a resposta clínica e o nível de sedação.
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