PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2025
Leia o relato do caso a seguir. F.A.N., 72 anos de idade, sexo masculino, é portador de insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida (classe funcional IV da NYHA), DPOC avançada, e doença renal crónica, estágio 4. Nos últimos 12 meses, ele foi internado quatro vezes por descompensações da insuficiência cardiaca e exacerbações da DPOC, o que resultou em aumento progressivo de sua terapia medicamentosa. Relata efeitos colaterais dos medicamentos, como hipotensão frequente e episódios de tontura, além de perda de peso significativa (15 Kg em 6 meses). Seu último clearance de creatinina foi de 18 mL/min. O paciente está em oxigenoterapia continua e, mesmo com o uso de diuréticos de alça e broncodilatadores, refere dispneia progressiva mesmo em repouso. Sua pressão arterial é de 92×60 mmHg. O paciente e sua família estão emocionalmente esgotados pelas frequentes hospitalizações e questionam se vale a pena continuar com tratamentos agressivos. A familia também relatou preocupações sobre a situação financeira devido aos custos dos tratamentos e hospitalizações frequentes. Seu médico de família, gerente de sua saúde, questiona se as abordagens terapêuticas atuais estão melhorando a qualidade de vida de F.A.N. e considera ajustes na estratégia de tratamento.
Múltiplas comorbidades avançadas + sofrimento + prognóstico reservado → Priorizar Cuidados Paliativos.
Em pacientes com doenças crônicas avançadas, múltiplas descompensações, polifarmácia com efeitos colaterais e sofrimento significativo (físico e emocional), a transição para cuidados paliativos é a abordagem mais ética e eficaz. O foco muda da cura para o alívio de sintomas e a melhoria da qualidade de vida, com envolvimento ativo do paciente e família.
Os cuidados paliativos são uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Isso é alcançado pela identificação precoce, avaliação impecável e tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. No caso apresentado, o paciente F.A.N. exibe múltiplos critérios para a indicação de cuidados paliativos. Comorbidades avançadas como insuficiência cardíaca classe funcional IV, DPOC avançada e doença renal crônica estágio 4, associadas a múltiplas internações, polifarmácia com efeitos colaterais e sofrimento familiar, indicam um prognóstico reservado e uma baixa probabilidade de benefício com terapias agressivas. A prioridade deve ser o conforto, a dignidade e a qualidade de vida, alinhando os tratamentos aos valores e desejos do paciente e sua família. A discussão sobre interrupção de terapias agressivas, o foco no controle de sintomas como dispneia e hipotensão, e o suporte emocional e financeiro à família são componentes essenciais dos cuidados paliativos. Para residentes, é fundamental reconhecer os sinais de que um paciente se beneficiaria dessa abordagem, evitando a obstinação terapêutica e promovendo uma medicina mais humana e centrada no paciente.
Cuidados paliativos devem ser considerados precocemente em pacientes com doenças graves e progressivas, que limitam a vida, ou quando o tratamento curativo não é mais eficaz ou desejado, focando na qualidade de vida.
Os pilares incluem alívio da dor e outros sintomas, suporte psicossocial e espiritual para o paciente e família, comunicação clara sobre o prognóstico e planejamento de cuidados, e a afirmação da vida.
A polifarmácia é um desafio. Em cuidados paliativos, a desprescrição de medicamentos que não contribuem para o conforto ou qualidade de vida, ou que causam efeitos colaterais significativos, é uma prática comum e importante para reduzir a carga de tratamento.
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