SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Um homem de 88 anos de idade, portador de insuficiência cardíaca NYHA II e doença de Alzheimer FAST 3, apresenta algumas limitações no dia a dia, mas consegue realizar todas as suas atividades básicas de vida sem auxílio, com PPS 70. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.
Pacientes com doenças crônicas, progressivas e irreversíveis, independente da idade, têm indicação de cuidados paliativos.
Cuidados paliativos são indicados para pacientes com doenças crônicas, progressivas e que ameaçam a vida, visando melhorar a qualidade de vida do paciente e de seus familiares. A idade avançada e a capacidade de realizar atividades básicas não são critérios excludentes; a presença de condições como insuficiência cardíaca avançada e doença de Alzheimer já configuram a necessidade.
Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. Isso é feito por meio da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. A indicação para cuidados paliativos não se restringe à fase final da vida, mas deve ser considerada desde o diagnóstico de uma doença grave, crônica e progressiva. No caso apresentado, o paciente de 88 anos possui insuficiência cardíaca (IC) NYHA II e doença de Alzheimer FAST 3. Ambas são condições crônicas, progressivas e irreversíveis que, por si só, já justificam a inclusão em um programa de cuidados paliativos. A IC, mesmo em classe funcional II, é uma doença com prognóstico reservado e alta morbimortalidade. A doença de Alzheimer, uma demência neurodegenerativa, também se enquadra nos critérios de elegibilidade para cuidados paliativos, independentemente do estágio. A Palliative Performance Scale (PPS) de 70 indica que o paciente ainda possui boa funcionalidade, sendo capaz de realizar a maioria das atividades de autocuidado. No entanto, a funcionalidade não é o único critério para indicação de cuidados paliativos; a natureza da doença e seu potencial de ameaça à vida são primordiais. O objetivo é oferecer suporte integral, alívio de sintomas e planejamento antecipado de cuidados, garantindo dignidade e qualidade de vida em todas as fases da doença. A idade avançada, por si só, também não é um critério isolado para cuidados paliativos, mas a presença de múltiplas comorbidades crônicas e progressivas em idosos reforça a necessidade dessa abordagem.
Os cuidados paliativos devem ser iniciados precocemente no curso de qualquer doença grave, crônica e que ameace a vida, idealmente em conjunto com o tratamento modificador da doença. O objetivo é melhorar a qualidade de vida e aliviar o sofrimento desde o diagnóstico.
Um PPS (Palliative Performance Scale) de 70 indica que o paciente é capaz de realizar a maior parte das atividades de autocuidado, mas requer alguma assistência ocasional e tem alguma redução na capacidade de trabalho/atividade. Isso demonstra uma funcionalidade razoável, mas não exclui a necessidade de cuidados paliativos em doenças avançadas.
Ortotanásia é a prática de não prolongar artificialmente a vida de um paciente em fase terminal, permitindo uma morte natural e digna, sem adiar nem acelerar. Mistanásia refere-se à morte miserável, precoce e evitável, geralmente por negligência ou falta de acesso a cuidados de saúde adequados.
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