Cuidados Paliativos na APS: Papel do Médico de Família

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2018

Enunciado

Ingrid, de 82 anos, é sua paciente há mais de 15 anos. Há alguns meses foi diagnosticada com câncer de cólon em estádio IVb, com metástases no fígado e no peritônio. Ela é viúva, mora sozinha, mas conta com apoio de duas filhas, genros e netos que moram próximos. No processo de diagnóstico, dos exames e da cirurgia para colostomia. Ingrid passou pelos estágios de enfrentamento da morte e parece agora contemplar o fim com certa tranquilidade. Na última consulta ela lhe pede, "Dr. quero morrer em casa, não gostaria de sofrer muito e quero que me ajude!". Em relação aos cuidados paliativos na Atenção Primária à Saúde (APS), assinale a afirmativa CORRETA.

Alternativas

  1. A) Papel da APS é o de prestar cuidados paliativos somente aos pacientes acamados através de visitas domiciliares. 
  2. B) As equipes de cuidados paliativos dos serviços hospitalares devem atuar de forma independente da APS.
  3. C) Os cuidados paliativos e o manejo da dor, como o uso da morfina, são competência do médico de família e devem ser incorporados à APS.
  4. D) A equipe da APS deve conversar abertamente sobre a morte com os familiares e evitar esse tema com a paciente.

Pérola Clínica

Cuidados paliativos e manejo da dor (incluindo morfina) são competências do médico de família na APS.

Resumo-Chave

A Atenção Primária à Saúde tem um papel fundamental e ativo nos cuidados paliativos, não se limitando a pacientes acamados. O médico de família é capacitado para o manejo da dor e sintomas, incluindo a prescrição de opioides, e para a comunicação sobre o fim da vida, integrando a família e o paciente no plano de cuidados.

Contexto Educacional

Cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida. Na Atenção Primária à Saúde (APS), sua importância é crescente, permitindo que pacientes recebam suporte contínuo em seu ambiente familiar, reduzindo hospitalizações desnecessárias e promovendo uma morte digna. O médico de família, pela sua longitudinalidade e integralidade do cuidado, está em posição privilegiada para identificar necessidades paliativas precocemente, manejar sintomas como a dor (inclusive com opioides como a morfina), e coordenar o cuidado com equipes especializadas. A comunicação sobre prognóstico e desejos do paciente é central, envolvendo a família e respeitando a autonomia. A integração dos cuidados paliativos na APS não se restringe a pacientes acamados, mas abrange todos os estágios da doença. É fundamental que as equipes da APS estejam capacitadas para oferecer esse suporte, garantindo que o paciente e sua família recebam um cuidado abrangente e humanizado até o fim da vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os princípios dos cuidados paliativos na APS?

Os princípios incluem alívio do sofrimento, melhora da qualidade de vida, suporte ao paciente e família, e integração com outros níveis de atenção, focando na autonomia do paciente.

O médico de família pode prescrever morfina para dor em cuidados paliativos?

Sim, o médico de família tem competência para o manejo da dor em cuidados paliativos, incluindo a prescrição de opioides como a morfina, conforme as diretrizes clínicas e legislação.

Como a APS deve abordar a comunicação sobre o fim da vida com pacientes e familiares?

A APS deve promover uma comunicação aberta e honesta com o paciente e seus familiares, respeitando os desejos do paciente e auxiliando na tomada de decisões compartilhadas sobre o plano de cuidados.

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