Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2022
Um paciente de 78 anos de idade, com antecedente de neoplasia de pulmão avançada, refratária ao tratamento quimioterápico e dependente de oxigênio domiciliar, foi levado ao pronto-socorro, por familiares, com relato de dor torácica e piora importante da dispneia há um dia. Ao exame físico, desconforto respiratório importante, murmúrios vesiculares presentes, bilateralmente, sem ruídos adventícios, frequência respiratória de 35 ipm, saturação de 75% com máscara a 7 L/min. e pressão arterial de 80 x 50 mmHg. Após avaliação, a equipe médica optou por propor um plano terapêutico com medidas paliativas. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa que apresenta a medida mais adequada para o conforto e o controle sintomático do paciente.
Em cuidados paliativos, morfina é a medida mais eficaz para controle de dor e dispneia em paciente terminal.
Em um paciente com neoplasia avançada, refratária ao tratamento e em cuidados paliativos, o foco é o conforto e o controle sintomático. A morfina é a droga de escolha para o alívio da dor e da dispneia, que são sintomas comuns e angustiantes no fim da vida.
Os cuidados paliativos são uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida. Em pacientes com neoplasias avançadas e refratárias ao tratamento, como o caso descrito, o foco da assistência muda de uma abordagem curativa para o alívio do sofrimento e o controle sintomático. É fundamental que a equipe médica compreenda os princípios dos cuidados paliativos para oferecer o melhor suporte ao paciente em fase terminal. Nesse contexto, a dor e a dispneia são sintomas extremamente comuns e angustiantes. A morfina é considerada a medicação de primeira linha para o controle da dor moderada a severa e da dispneia em pacientes em cuidados paliativos. Ela atua nos receptores opioides no sistema nervoso central, proporcionando analgesia eficaz e reduzindo a sensação de falta de ar. A administração em infusão contínua permite um controle mais estável dos sintomas. É crucial diferenciar as medidas que promovem conforto daquelas que prolongam o sofrimento sem benefício. Intubação paliativa, noradrenalina em infusão contínua (para choque refratário em paciente terminal sem perspectiva de reversão), broncoscopia ou quimioterapia de urgência, neste cenário, seriam consideradas medidas fúteis ou desproporcionais, que não se alinham com os objetivos dos cuidados paliativos. O objetivo é garantir dignidade e alívio dos sintomas até o fim da vida.
O principal objetivo é proporcionar o máximo conforto e qualidade de vida ao paciente e sua família, através da prevenção e alívio do sofrimento, controlando sintomas físicos, psicossociais e espirituais.
A morfina é um opioide potente que atua eficazmente no controle da dor severa e também tem um efeito ansiolítico e broncodilatador, aliviando a sensação de dispneia, sendo a droga de escolha para esses sintomas em pacientes em fim de vida.
Devem ser evitadas medidas invasivas e fúteis que não trarão benefício ao paciente e podem aumentar seu sofrimento, como intubação orotraqueal, reanimação cardiopulmonar, ou tratamentos quimioterápicos agressivos sem perspectiva de melhora da qualidade de vida.
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