Cuidados Paliativos na APS: Papel do Médico de Família

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2017

Enunciado

Uma médica de família e comunidade está acompanhando uma senhora de 87 anos que é portadora de neoplasia de cólon com metástase de fígado e peritônio. Em uma visita domiciliar, a senhora declara, perante a filha, que gostaria de morrer em casa, dizendo que não quer ser internada, pois tem medo de sofrer. Em relação aos cuidados paliativos das pessoas sob seus cuidados, o médico de família e comunidade deve:

Alternativas

  1. A) Devido à complexidade do caso a médica deve referenciar a pessoa para uma equipe de cuidados paliativos em unidade hospitalar e não deve mais interferir no plano terapêutico.
  2. B) Os cuidados paliativos fazem parte do perfil de competências do MFC, bem como o manejo da dor, como o uso da morfina.
  3. C) O papel da médica de família e comunidade é de prestar cuidados paliativos no domicílio somente se a pessoa se encontrar acamada.
  4. D) A médica de família e comunidade não deve abordar temas como a morte na frente de familiares.
  5. E) A Equipe da APS é a única responsável pelos cuidados paliativos, uma vez que a equipe oncológica atingiu o máximo da possibilidade curativa da neoplasia.

Pérola Clínica

Cuidados paliativos são competência do MFC, incluindo manejo da dor e respeito à autonomia do paciente em fim de vida.

Resumo-Chave

O médico de família e comunidade tem papel fundamental nos cuidados paliativos, atuando no domicílio, manejando sintomas como a dor e respeitando as diretivas antecipadas de vontade do paciente, integrando-se à equipe de saúde.

Contexto Educacional

Os cuidados paliativos são uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. O Médico de Família e Comunidade (MFC) possui um papel central e estratégico nesse contexto, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), por sua capacidade de oferecer cuidado integral, longitudinal e centrado na pessoa e sua família. A fisiopatologia da dor em pacientes oncológicos é complexa, envolvendo múltiplos mecanismos. O manejo da dor é um pilar dos cuidados paliativos, e o MFC deve estar apto a utilizar uma gama de analgésicos, incluindo opioides fortes como a morfina, seguindo a escada analgésica da OMS. A comunicação sobre a terminalidade e as diretivas antecipadas de vontade são competências essenciais do MFC, que deve facilitar essas discussões com sensibilidade e respeito à autonomia do paciente. O tratamento em cuidados paliativos não visa a cura, mas sim o alívio do sofrimento físico, psicossocial e espiritual. O MFC atua na coordenação do cuidado, integrando-se com equipes hospitalares e outros profissionais de saúde, garantindo a continuidade da assistência no domicílio, conforme o desejo do paciente, e oferecendo suporte à família durante o processo de luto.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do médico de família e comunidade nos cuidados paliativos?

O médico de família e comunidade é fundamental nos cuidados paliativos por sua capacidade de oferecer cuidado longitudinal, conhecer o contexto familiar e social do paciente, e coordenar a assistência no domicílio, promovendo conforto e qualidade de vida.

O médico de família pode prescrever opioides como a morfina para manejo da dor em cuidados paliativos?

Sim, o médico de família e comunidade tem competência para prescrever opioides, como a morfina, para o manejo da dor em pacientes sob cuidados paliativos, seguindo as diretrizes clínicas e a legislação vigente.

O que são as diretivas antecipadas de vontade e como o médico deve abordá-las?

Diretivas antecipadas de vontade são decisões expressas pelo paciente sobre os cuidados de saúde que deseja ou não receber no futuro, caso esteja incapacitado. O médico deve acolher e respeitar essas decisões, discutindo-as com o paciente e a família de forma ética e empática.

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