UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Dona Filomena de 81 anos, recebeu alta hospitalar há 3 dias, com orientação para Cuidados Paliativos em casa. Esteve internada por 3 meses para tratamento de um Câncer de Cólon de Útero com metástases em pulmão. Hoje recebe a visita da nutricionista, a pedido da família, devido à recusa absoluta em se alimentar. A profissional, após anamnese e exame físico completo, faz uma dieta detalhada e balanceada para a paciente, considerando a necessidade calórica e as restrições alimentares devido à diabetes mellitus que a paciente apresenta, e orienta a família quanto à possibilidade de dieta via sonda caso persista a recusa em se alimentar. Orienta ainda sobre a importância de uma hidratação adequada. Dona Filomena está lúcida, desorientada (1+/4), levemente desidratada. Nega dor e refere apenas vontade de comer ""pudim"". Considerando os princípios dos Cuidados Paliativos é correto afirmar que a nutricionista:
Em Cuidados Paliativos, a recusa alimentar/hídrica no fim da vida pode ser benéfica, associada a ↑ liberação de opiáceos endógenos e ↓ dor.
No contexto de Cuidados Paliativos avançados, a manutenção de dietas e hidratação agressivas pode aumentar o desconforto do paciente. A diminuição do aporte nutricional e hídrico é frequentemente uma conduta adequada, pois pode reduzir sintomas como edema, ascite e secreções, além de estar associada a um melhor controle da dor.
Os Cuidados Paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias diante de doenças que ameaçam a continuidade da vida. No contexto de pacientes em fase final, a nutrição e hidratação tornam-se um ponto crucial de discussão, frequentemente gerando ansiedade em familiares e profissionais. É fundamental compreender que, nessas fases, o objetivo não é mais a cura ou a manutenção da vida a todo custo, mas sim o alívio do sofrimento e a promoção do conforto. A recusa alimentar e hídrica é um processo fisiológico natural no fim da vida, muitas vezes associado à diminuição das necessidades metabólicas do corpo. A hidratação e nutrição artificiais podem, paradoxalmente, aumentar o desconforto do paciente, levando a sintomas como edema, ascite e secreções pulmonares e náuseas. Além disso, a desidratação leve a moderada pode estimular a liberação de opiáceos endógenos, contribuindo para um melhor controle da dor e bem-estar. A conduta adequada em Cuidados Paliativos envolve uma comunicação clara com a família, explicando os benefícios de não forçar a alimentação e hidratação. O foco deve ser na higiene oral rigorosa para evitar boca seca e na oferta de pequenas quantidades de alimentos e líquidos que o paciente deseje, sem pressão. A decisão de não intervir agressivamente com sondas ou hidratação venosa deve ser baseada nos desejos do paciente (se lúcido) e nos princípios éticos de não maleficência e beneficência, priorizando o conforto e a dignidade.
A hidratação em Cuidados Paliativos deve ser individualizada. Em fases avançadas, a desidratação leve a moderada pode ser fisiológica e até benéfica, reduzindo sintomas como edema e secreções, e não necessariamente causa desconforto se a boca for mantida úmida.
A recusa alimentar e hídrica no fim da vida é um processo natural. A diminuição do aporte nutricional pode reduzir a sobrecarga orgânica e a produção de metabólitos, enquanto a desidratação leve pode estimular a liberação de opiáceos endógenos, contribuindo para o conforto e controle da dor.
Os princípios da nutrição em Cuidados Paliativos focam no conforto e na qualidade de vida, não na prolongação da vida a qualquer custo. Isso significa oferecer alimentos que o paciente deseja, em pequenas quantidades, e evitar intervenções invasivas como sondas, que podem gerar mais sofrimento.
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