Manejo de Sintomas em Cuidados Paliativos: Constipação por Opioides

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020

Enunciado

Assinale a assertiva correta sobre o manejo de sintomas de pacientes em cuidados paliativos.

Alternativas

  1. A)  Laxativos devem ser prescritos para todos os pacientes em uso de opioides, devido ao risco de impactação fecal.
  2. B)  A administração de analgésicos para quadros dolorosos deve ser feita por demanda dos pacientes, e não em horários fixos, pois algumas classes, como a dos opioides, causam reações adversas importantes se usadas com posologia fixa.
  3. C)  O delirium é situação frequente e angustiante nos pacientes em terminalidade de vida; a primeira abordagem desse quadro deve ser a prescrição de haloperidol, para trazer conforto aos pacientes e aos familiares.
  4. D)  As doses de opioides prescritas na abordagem inicial da dispneia são as mesmas utilizadas no tratamento da dor.
  5. E)  O oxigênio suplementar, ofertado através de cateter ou máscara, está indicado para os pacientes com dispneia para alívio do sintoma, mesmo para aqueles que não se apresentam hipoxêmicos.

Pérola Clínica

Uso de opioides → Profilaxia de constipação com laxativos é mandatória.

Resumo-Chave

A constipação é um efeito adverso quase universal dos opioides, devido à redução da motilidade gastrointestinal. Portanto, a prescrição profilática de laxativos (estimulantes e/ou osmóticos) é essencial para todos os pacientes em uso regular de opioides em cuidados paliativos, a fim de prevenir impactação fecal e desconforto.

Contexto Educacional

O manejo de sintomas é a pedra angular dos cuidados paliativos, visando proporcionar conforto e qualidade de vida a pacientes com doenças graves e incuráveis. A dor, a dispneia, a náusea e a constipação são alguns dos sintomas mais prevalentes e desafiadores. A constipação induzida por opioides (CIO) é um efeito adverso quase universal e persistente, que não desenvolve tolerância como outros efeitos (ex: náuseas). Devido à alta incidência e ao impacto significativo na qualidade de vida, a profilaxia da CIO com laxativos é mandatória para todos os pacientes que iniciam o uso regular de opioides. A abordagem geralmente envolve uma combinação de laxativos estimulantes (para promover a motilidade intestinal) e osmóticos (para aumentar o conteúdo de água nas fezes). Esperar a constipação se instalar para iniciar o tratamento é um erro comum que leva a maior sofrimento e dificuldade de manejo. Outros pontos importantes no manejo de sintomas incluem a administração de analgésicos em horários fixos (e não apenas por demanda) para manter níveis séricos estáveis e controle contínuo da dor, especialmente com opioides. O delirium, embora frequente, deve ter sua causa investigada e tratada antes da medicação sintomática (como haloperidol). A dispneia pode ser aliviada com opioides em baixas doses, mesmo em pacientes não hipoxêmicos, mas o oxigênio suplementar tem benefício limitado em ausência de hipoxemia.

Perguntas Frequentes

Por que a constipação é tão comum em pacientes que usam opioides?

Opioides agem nos receptores mu no trato gastrointestinal, diminuindo a motilidade intestinal, aumentando a absorção de água e reduzindo as secreções, resultando em fezes mais duras e lentas.

Quais tipos de laxativos são indicados para constipação induzida por opioides?

Geralmente, uma combinação de laxativos estimulantes (como sene ou bisacodil) e osmóticos (como lactulose ou polietilenoglicol) é recomendada para uma abordagem eficaz.

O oxigênio suplementar é sempre indicado para dispneia em cuidados paliativos?

O oxigênio suplementar é indicado para dispneia em pacientes hipoxêmicos. Para pacientes não hipoxêmicos, o benefício é limitado e outras medidas, como ventilação com ar ambiente ou opioides, podem ser mais eficazes para o alívio do sintoma.

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