SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2016
Dona Mirtes, 78 anos, estava internada por um câncer de ovário em estágio terminal, tendo recebido alta do serviço há cerca de cinco dias para cuidados em seu domicílio. Seus familiares decidem levá-la para uma consulta com seu médico de família, Dr. Caio, para que ele lhe prescreva um calmante, pois ela está muito irritada e com raiva de tudo. Dr. Caio pede que todos saiam do consultório para que converse a sós com a paciente. Durante a consulta, percebe que a paciente tem consciência de que sua patologia não tem cura e esclarece suas dúvidas, mas de repente ela começa a chorar. Dona Mirtes continua a cuidar das tarefas do lar, sente-se bem, e diz não entender porquê isso está acontecendo com ela. Ela conta que o médico, que a acompanhou no hospital, disse que ela só tem seis meses de vida e quer viver intensamente o tempo que lhe resta. Mas seus familiares a tratam como doente e não querem que ela saia de casa. Dr. Caio conhece o protocolo Spikes (setting up – perception – invitation – knowledge – emotions – strategy and summary) e o utiliza para a comunicação de más notícias. Qual das condutas abaixo Dr. Caio deve seguir?
Paciente terminal: acolher, validar sentimentos e elaborar plano de cuidados paliativos conforme sua vontade é essencial.
Em cuidados paliativos, a autonomia do paciente é primordial. O médico deve acolher as emoções, validar os sentimentos e construir um plano de cuidados que respeite os desejos do paciente, mesmo que difiram dos familiares, focando na qualidade de vida.
Os cuidados paliativos visam melhorar a qualidade de vida de pacientes e familiares que enfrentam doenças que ameaçam a continuidade da vida, através da prevenção e alívio do sofrimento. A comunicação eficaz é um pilar fundamental, e o protocolo SPIKES é uma ferramenta validada para a comunicação de más notícias, estruturando a conversa para ser empática e centrada no paciente. É crucial reconhecer que o luto e as reações emocionais são complexos e individuais, não se encaixando rigidamente em fases predefinidas. A autonomia do paciente é um princípio ético central, especialmente em situações de fim de vida. O paciente tem o direito de tomar decisões sobre seu próprio corpo e tratamento, mesmo que essas decisões difiram das expectativas da família ou da equipe médica. O papel do médico é acolher, esclarecer dúvidas, validar sentimentos e, em conjunto com o paciente, elaborar um plano de cuidados que respeite seus desejos e valores, focando em sua qualidade de vida e bem-estar. Neste contexto, a conduta correta envolve não apenas a prescrição de medicamentos, mas principalmente o suporte emocional e a construção de um plano de cuidados individualizado. É importante diferenciar tristeza e raiva, que são reações naturais ao processo de luto e à doença terminal, de um episódio depressivo clínico, que exigiria intervenção farmacológica específica. O foco deve ser na escuta ativa e na validação das emoções do paciente, garantindo que ele se sinta compreendido e respeitado em suas escolhas.
A autonomia é crucial para garantir que o paciente tenha controle sobre suas decisões de tratamento e qualidade de vida no fim da vida, respeitando seus valores e desejos.
O SPIKES (Setting, Perception, Invitation, Knowledge, Emotions, Strategy and Summary) oferece uma estrutura para comunicar informações difíceis de forma empática e eficaz, permitindo ao paciente processar e participar das decisões.
O médico deve mediar a situação, priorizando a vontade do paciente, mas também oferecendo suporte e educação à família para que compreendam e aceitem as escolhas do paciente, buscando um consenso.
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