SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2020
Antônio Carlos, médico da atenção primária, realiza visita domiciliar ao Sr. José Maria, de 60 anos, que é portador de neoplasia de pâncreas inoperável, em vigência de quimioterapia, utilizando metadona 30mg por dia e mantendo EVN 8 de 10. Na última semana, esteve por duas vezes na UPA para controle da dor e das náuseas intensas e passou a ficar todo o tempo acamado, incapaz e totalmente dependente para todas as atividades. A ingesta de alimentos encontra-se reduzida. Está alerta, sem consciência da gravidade de sua situação, em profundo sofrimento psíquico e espiritual. Tem boa estrutura familiar, rede de apoio e condições socioeconômicas estáveis, de baixa vulnerabilidade. LEGENDA: EVN: escala visual numérica de dor. Qual a proposta mais apropriada para se discutir com o paciente e familiares, neste caso?
Paciente oncológico avançado com sintomas refratários e sofrimento multidimensional → indicar cuidados paliativos exclusivos em domicílio com equipe interdisciplinar.
Em pacientes com doença avançada e progressiva, como neoplasia de pâncreas inoperável, com sintomas intensos e dependência funcional, o foco deve mudar da cura para o alívio do sofrimento e a melhoria da qualidade de vida, através de cuidados paliativos especializados.
Os cuidados paliativos são uma abordagem que melhora a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida, através da prevenção e alívio do sofrimento, por meio de identificação precoce, avaliação impecável e tratamento da dor e outros problemas físicos, psicossociais e espirituais. Em casos de neoplasias avançadas e inoperáveis, como o câncer de pâncreas, o foco da assistência deve ser direcionado para o controle de sintomas e a promoção do bem-estar. A transição para cuidados paliativos exclusivos ocorre quando a doença progride a ponto de os tratamentos curativos não serem mais eficazes ou desejáveis, e o paciente apresenta grande carga de sintomas e dependência funcional. Neste cenário, a manutenção em domicílio com uma equipe interdisciplinar é a abordagem mais apropriada, pois permite um cuidado centrado no paciente e na família, no ambiente que lhes é familiar, com foco no alívio do sofrimento físico, psíquico e espiritual. A equipe interdisciplinar é fundamental para abordar todas as dimensões do sofrimento (dor, náuseas, fadiga, ansiedade, depressão, questões existenciais), otimizando o manejo farmacológico e não farmacológico. A comunicação clara e empática com o paciente e seus familiares sobre os objetivos do cuidado é essencial para garantir que as decisões estejam alinhadas com os valores e desejos do paciente, promovendo dignidade e conforto no final da vida.
Os cuidados paliativos devem ser iniciados o mais cedo possível no curso de uma doença grave e ameaçadora à vida, idealmente em conjunto com o tratamento curativo, e se tornam exclusivos quando a cura não é mais possível ou desejada.
A equipe interdisciplinar (médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, capelães) oferece uma abordagem holística, abordando dor física, sofrimento psicológico, social e espiritual do paciente e sua família.
A dor em câncer avançado é manejada com uma abordagem multifacetada, utilizando analgésicos opióides (como metadona, morfina), adjuvantes, e técnicas não farmacológicas, sempre buscando o controle eficaz e a mínima sedação.
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