Nutrição em Cuidados Paliativos: Conforto e Autonomia

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Um paciente de 33 anos foi diagnosticado com rabdoleiomiossarcoma metastático, incluindo lesões no sistema nervoso central. Já realizou quimioterapia de primeira linha, sem resposta adequada. Interna por piora da dor óssea. No momento com bom controle de dor, em uso de morfina em altas doses. Dependente para atividades básicas, como ir ao banheiro e trocar de roupa. Passa a maior parte do tempo acamado. Possui limitação motora como repercussão de metástases do SNC. Apresenta períodos de confusão. Não apresenta qualquer anormalidade metabólica ou hidroeletrolítica relevante. Na avaliação nutricional, verificada sarcopenia importante e desnutrição. Não atinge sequer 50% das demandas calóricas necessárias. Vem recusando o suplemento nutricional. Neste momento, a decisão mais adequada é:

Alternativas

  1. A) iniciar nutrição parenteral para evitar desnutrição mais grave.
  2. B) passar sonda nasoenteral para alimentação adequada e reabilitação, buscando evitar piora no quadro nutricional.
  3. C) oferecer suplementos orais e alimentos, mas aceitar a demanda do próprio paciente, tolerando caso haja uma ingesta inadequada, buscando conforto do paciente.
  4. D) buscar atingir metas calóricas com soro glicosado e eletrólitos até reversão do quadro atual.
  5. E) priorizar a sonda nasogástrica, por permitir controle adicional de náuseas.

Pérola Clínica

Em paciente terminal com desnutrição e recusa alimentar, priorize conforto e autonomia; evite intervenções nutricionais invasivas.

Resumo-Chave

Em pacientes com doença avançada e prognóstico limitado, especialmente aqueles com rabdoleiomiossarcoma metastático e dependência funcional, o foco dos cuidados se desloca da cura para o conforto e a qualidade de vida. Intervenções nutricionais agressivas, como nutrição parenteral ou sonda nasoenteral, geralmente não melhoram o prognóstico e podem aumentar o sofrimento, sendo a oferta de alimentos e suplementos orais, respeitando a vontade do paciente, a conduta mais adequada.

Contexto Educacional

Em pacientes com doenças avançadas e prognóstico limitado, como o rabdoleiomiossarcoma metastático com falha terapêutica, o foco dos cuidados se desloca da cura para a promoção do conforto e da qualidade de vida, um pilar dos cuidados paliativos. A desnutrição e a sarcopenia são achados comuns nessa fase, refletindo a caquexia associada à doença e a diminuição natural do apetite e da capacidade de ingestão. A abordagem nutricional deve ser cuidadosamente ponderada para evitar intervenções que causem mais sofrimento do que benefício. Nesse contexto, a nutrição parenteral e a alimentação por sonda nasoenteral são geralmente contraindicadas. Essas intervenções são invasivas, podem gerar desconforto, aumentar o risco de complicações (infecções, sobrecarga hídrica) e, em pacientes terminais, não demonstram melhorar significativamente a sobrevida ou a qualidade de vida. O objetivo principal passa a ser o manejo de sintomas e a manutenção da dignidade do paciente, respeitando sua autonomia e suas escolhas em relação à alimentação. A conduta mais adequada é oferecer alimentos e suplementos orais de preferência do paciente, em pequenas porções e com frequência, tolerando a ingesta inadequada. O foco é proporcionar prazer e conforto associados à alimentação, sem metas calóricas agressivas. A comunicação aberta com o paciente e a família sobre os objetivos dos cuidados e a evolução da doença é essencial para alinhar as expectativas e garantir que as decisões tomadas estejam em consonância com os valores e desejos do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a prioridade no manejo nutricional de um paciente oncológico terminal com desnutrição e recusa alimentar?

A prioridade é o conforto do paciente e o respeito à sua autonomia. Deve-se oferecer alimentos e suplementos orais de sua preferência, sem forçar a ingestão. Intervenções invasivas, como sondas ou nutrição parenteral, geralmente não são indicadas, pois não melhoram o prognóstico e podem aumentar o sofrimento.

Por que a nutrição parenteral ou enteral não é recomendada para pacientes terminais com desnutrição?

Em pacientes terminais, a desnutrição é frequentemente parte do processo da doença e da caquexia refratária. A nutrição artificial não reverte esse processo, não melhora a qualidade de vida, não prolonga a sobrevida de forma significativa e pode causar complicações como infecções, sobrecarga hídrica e desconforto, desviando o foco do conforto.

Como a autonomia do paciente influencia as decisões sobre nutrição em cuidados paliativos?

A autonomia do paciente é central nos cuidados paliativos. A decisão de aceitar ou recusar alimentos e suplementos deve ser respeitada, mesmo que resulte em ingesta inadequada. O papel da equipe é oferecer suporte, informar sobre as opções e garantir que as escolhas do paciente sejam honradas, buscando sempre seu bem-estar e dignidade.

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