UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Paciente com diagnóstico de demência de Alzheimer em fase avançada, com síndrome de imobilidade, no momento internada por pneumonia grave. No manejo do quadro, é correto afirmar:
Demência avançada + pneumonia grave → priorizar conforto, morfina para dispneia, ponderar invasividade.
Em pacientes com demência avançada e comorbidades graves como pneumonia, o foco do tratamento deve ser o conforto e a qualidade de vida, com uso de morfina para dispneia e avaliação criteriosa da indicação de medidas invasivas, que podem prolongar o sofrimento sem benefício real.
O manejo de pacientes com demência de Alzheimer em fase avançada, especialmente quando acometidos por condições agudas como pneumonia grave, exige uma abordagem centrada nos cuidados paliativos. Nesses casos, o objetivo principal do tratamento não é a cura ou a prolongação da vida a qualquer custo, mas sim a promoção do conforto, da dignidade e da qualidade de vida, alinhando as condutas aos valores e desejos do paciente e de sua família. A dispneia é um sintoma comum e angustiante em pacientes com doença avançada. A morfina é a medicação de escolha para aliviar o desconforto respiratório, mesmo na ausência de dor, devendo ser iniciada em doses baixas e titulada conforme a necessidade, com doses de resgate disponíveis. Outras medidas de conforto incluem o posicionamento adequado, oxigenoterapia se houver hipoxemia e manejo da ansiedade. Medidas invasivas, como intubação orotraqueal e ventilação mecânica, ou a passagem de sonda nasoenteral para alimentação, devem ser cuidadosamente ponderadas. Em pacientes com demência avançada, essas intervenções frequentemente não melhoram o prognóstico, podem aumentar o sofrimento e diminuir a qualidade de vida restante. A decisão deve ser tomada em conjunto com a família, considerando os objetivos de cuidado e o prognóstico geral da doença de base.
A morfina é um opioide eficaz para aliviar a dispneia em pacientes em cuidados paliativos, mesmo na ausência de dor. Ela age reduzindo a percepção da falta de ar e a ansiedade associada, melhorando o conforto do paciente e a qualidade de vida.
A intubação orotraqueal em pacientes com demência avançada deve ser cuidadosamente ponderada, considerando os objetivos de cuidado do paciente e da família. Geralmente, não é indicada se o objetivo principal é o conforto, pois pode prolongar o sofrimento sem alterar o prognóstico ou a qualidade de vida.
Não. A nutrição enteral em demência avançada não demonstrou melhorar a sobrevida, o estado nutricional ou prevenir broncoaspiração, e pode aumentar o desconforto. A alimentação oral assistida e o conforto são priorizados, com foco na dignidade do paciente.
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