Cuidados Paliativos em Idosos com Demência Avançada

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2021

Enunciado

Dona Maria Inês, 92 anos, está acamada, totalmente dependente para atividades diárias, confusa, com quadro avançado de Alzheimer. É obesa, hipertensa (em uso de Anlodipina, Propranolol e Losartana), diabética (em uso de Metformina e Glicazida), além de tomar medicações para dislipidemia (Sinvastatina), hipotiroidismo (Puran T4), insuficiência venosa (Diosmina - Hesperidina) e labirintite (Betaistina). Faz uso, ainda, de medicações para o Alzheimer (Memantina e Galantamina) e de um remédio para dormir (Bromazepam). A família da paciente solicitou uma visita domiciliar de rotina, e a principal queixa foi a alimentação inadequada de dona Maria Inês, que não está aceitando nada além de pizza e empadas. Você, como médico da Atenção Primária que acompanha esta paciente, deve ter como principal foco de atenção durante a consulta da paciente, e como conduta mais adequada, respectivamente:

Alternativas

  1. A) a questão nutricional, pois a alimentação inadequada pode resultar em descontrole dos quadros já apresentados, deve ser encaminhada ao Nutricionista.
  2. B) a polifarmácia, pois a interação medicamentosa pode levar a outras comorbidades; devem ser mantidos apenas os medicamentos para Hipertensão Arterial e diabetes mellitus, com suspensão de todos os outros.
  3. C) a qualidade de vida da paciente, pois pela idade e quadro clínico ela se encaixa em perfil para cuidados paliativos; deve ser incentivada a oferta de alimentos que ela goste, como pizza e empadas.
  4. D) o uso do Bromazepam, pois piora o risco de quedas e pode estar contribuindo para a confusão mental da paciente; deve ser suspensa a medicação imediatamente.

Pérola Clínica

Idosa com Alzheimer avançado e polifarmácia → foco em qualidade de vida e cuidados paliativos.

Resumo-Chave

Em pacientes idosos com demência avançada e múltiplas comorbidades, o foco da atenção primária deve se deslocar da cura para o conforto e a qualidade de vida. A desprescrição e a abordagem paliativa são cruciais para evitar iatrogenias e promover o bem-estar, priorizando o que o paciente aceita e gosta.

Contexto Educacional

A abordagem de pacientes idosos com demência avançada e múltiplas comorbidades, como Dona Maria Inês, exige uma mudança de paradigma da medicina curativa para os cuidados paliativos. O objetivo principal passa a ser a promoção da qualidade de vida, conforto e dignidade, em vez da busca incessante pela cura ou controle estrito de todas as doenças. A polifarmácia é um problema comum nessa população, aumentando o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos e iatrogenias. A desprescrição, ou seja, a revisão e suspensão de medicamentos desnecessários ou potencialmente prejudiciais, é uma estratégia fundamental para otimizar o tratamento e reduzir a carga medicamentosa. Na Atenção Primária, o médico deve avaliar o prognóstico do paciente e discutir com a família os objetivos do cuidado. Incentivar a alimentação que o paciente aceita, mesmo que não seja a 'ideal' nutricionalmente, pode ser uma medida de conforto importante, priorizando o bem-estar e a autonomia residual do paciente dentro de uma perspectiva paliativa.

Perguntas Frequentes

Qual o principal objetivo dos cuidados paliativos em idosos com demência avançada?

O principal objetivo é promover a qualidade de vida, o conforto e a dignidade do paciente, focando no alívio do sofrimento e na otimização do bem-estar, em vez da busca por cura ou controle estrito de todas as comorbidades.

Como a polifarmácia afeta a qualidade de vida de idosos com Alzheimer?

A polifarmácia em idosos com Alzheimer aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos, quedas, confusão mental e sobrecarga medicamentosa, impactando negativamente a qualidade de vida e a funcionalidade.

Quando considerar a desprescrição de medicamentos em pacientes idosos?

A desprescrição deve ser considerada em idosos com polifarmácia, doenças avançadas, expectativa de vida limitada, medicamentos com alto risco de efeitos adversos ou quando os benefícios não superam os riscos, sempre com avaliação individualizada e discussão com a família.

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