HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher de 43 anos de idade, portadora de carcinoma ductal invasivo de mama refratário a quimioterapia, comparece ao ambulatório se queixando de dispneia aos pequenos esforços e dor em hemitórax direito de moderada intensidade. Atualmente está utilizando apenas dipirona como analgésico. Tomografia computadorizada de tórax mais recente evidenciou diversos nódulos pulmonares e implante ósseo em arco costal direito (na topografia de seu sintoma). Ao exame físico, apresenta frequência respiratória de 30irpm, peso de 40kg e saturação de oxigênio 92% em ar ambiente, sem outras alterações. Função renal e hepática sem alterações em exames laboratoriais. A paciente entende sobre seu diagnóstico e prognóstico e tem o desejo de falecer em casa. Frente à decisão da paciente, qual é a conduta que deve ser adotada para o controle de seus sintomas neste momento?
Em cuidados paliativos, dor e dispneia em paciente oncológica terminal → otimizar analgésicos (opioides) e considerar doses de resgate.
Em pacientes oncológicos terminais com dor e dispneia, a prioridade é o controle sintomático. A morfina é o opioide de escolha para dor moderada a grave e dispneia, com doses regulares e de resgate. A dipirona pode ser mantida como analgésico adjuvante. A oxigenoterapia é indicada se houver hipoxemia sintomática, mas não é a primeira linha para dispneia sem hipoxemia.
Os cuidados paliativos são essenciais para pacientes com doenças graves e progressivas, como o carcinoma de mama refratário, focando na melhoria da qualidade de vida e no alívio do sofrimento. O controle eficaz da dor e da dispneia é uma prioridade máxima, especialmente em pacientes com prognóstico limitado e desejo de falecer em casa. A epidemiologia mostra que a dor e a dispneia são sintomas prevalentes e angustiantes em pacientes oncológicos avançados. A fisiopatologia da dor oncológica é complexa, envolvendo componentes nociceptivos e neuropáticos, frequentemente exacerbados por metástases ósseas. A dispneia, por sua vez, pode ser multifatorial, incluindo envolvimento pulmonar pela doença, anemia, ou ansiedade. O diagnóstico e a avaliação contínua dos sintomas são cruciais para um manejo adequado, utilizando escalas de dor e dispneia. O tratamento dos sintomas em cuidados paliativos segue uma abordagem escalonada, com a morfina sendo a pedra angular para dor moderada a grave e dispneia. É fundamental prescrever doses regulares para controle da dor basal e doses de resgate para dor irruptiva. A dipirona pode ser mantida como analgésico não opioide. A oxigenoterapia é reservada para casos de hipoxemia, enquanto outras medidas não farmacológicas também podem ser úteis. O respeito à autonomia do paciente e seus desejos é central na tomada de decisões.
A morfina é um opioide potente e eficaz para o controle da dor moderada a grave e da dispneia em pacientes paliativos, atuando em receptores opioides centrais para aliviar ambos os sintomas.
A dor irruptiva, que é uma exacerbação transitória da dor em pacientes com dor crônica controlada, deve ser manejada com doses de resgate de opioides de ação rápida, como a morfina oral, além da medicação regular.
A oxigenoterapia domiciliar é indicada para pacientes paliativos com dispneia e hipoxemia documentada (saturação de oxigênio < 90-92%), visando melhorar a saturação e aliviar o sintoma. Para dispneia sem hipoxemia, outras medidas como opioides são mais eficazes.
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