Insuficiência Respiratória Terminal: Manejo Paliativo

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2021

Enunciado

SAMU foi acionado pelo marido de mulher de 58 anos que apresenta insuficiência respiratória aguda. AP: tratamentopara neoplasia ovariana há 6 meses, atualmente em quimioterapia paliativa; marido relata clareza da paciente sobreo seu prognóstico e que não desejava ser submetida a medidas como intubação orotraqueal e ventilação mecânica. Exame físico:extremamente desconfortável e confusa. FR: 38 irpm com uso de musculatura acessória, saturação de O2 em ar ambiente de 70%,PA 160 x 100 mmHg; MV abolido em hemitórax direito e reduzido em 1/3 inferior de hemitórax esquerdo. Marido manifesta desejode honrar a vontade da esposa.Assinale a alternativa que apresenta a conduta imediata.

Alternativas

  1. A) Acionar o comitê de bioética local.
  2. B) Sedação para intubação orotraqueal e solicitar leito de UTI, pois não fazê-lo implicaria em omissão de socorro.
  3. C) Sedação para intubação orotraqueal e solicitar leito de UTI, pois o relato da família não possui validade legal, uma vez que a paciente não registrou sua diretiva antecipada de vontade em cartório.
  4. D) Iniciar titulação de morfina até controle dos sintomas.

Pérola Clínica

Em insuficiência respiratória terminal com DAV expressa, priorizar conforto e sedação paliativa (morfina) sobre intubação.

Resumo-Chave

Diante de um paciente em fase terminal com insuficiência respiratória aguda e diretivas antecipadas de vontade (mesmo que verbais, confirmadas pela família) de não ser submetido a medidas invasivas, a conduta imediata é focar no alívio do sofrimento, iniciando sedação paliativa com morfina para controle da dispneia.

Contexto Educacional

Em situações de fim de vida, especialmente em pacientes com doenças incuráveis e prognóstico reservado, a prioridade da assistência médica se desloca da cura para o conforto e a qualidade de vida. Os cuidados paliativos são essenciais nesse contexto, visando aliviar o sofrimento físico, psicossocial e espiritual do paciente e de sua família. A autonomia do paciente, expressa por meio de Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), é um princípio bioético fundamental. No caso de insuficiência respiratória aguda em um paciente com doença avançada e desejo expresso de não ser submetido a medidas invasivas como intubação, a conduta deve focar no manejo sintomático. A dispneia é um sintoma angustiante, e a titulação de opioides, como a morfina, é a medida mais eficaz para seu controle, agindo no centro respiratório e reduzindo a sensação de falta de ar. É crucial respeitar a vontade do paciente, mesmo que comunicada por familiares quando o paciente está confuso. A omissão de socorro não se configura quando a equipe médica oferece o melhor cuidado paliativo disponível, alinhado aos desejos do paciente, em vez de prolongar o sofrimento com intervenções fúteis. O acionamento do comitê de bioética seria uma etapa posterior, caso houvesse conflito ou dúvida, mas não a conduta imediata em uma emergência de alívio de sintomas.

Perguntas Frequentes

Qual o papel das Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV) na conduta médica?

As DAVs, mesmo que não registradas formalmente, devem ser respeitadas quando a capacidade de decisão do paciente está comprometida, guiando a equipe médica a seguir os desejos do paciente sobre tratamentos futuros.

Por que a morfina é indicada para dispneia em cuidados paliativos?

A morfina atua no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da dispneia e a ansiedade associada, proporcionando conforto ao paciente em insuficiência respiratória terminal, sem necessariamente prolongar a vida.

Quando acionar o comitê de bioética em situações de fim de vida?

O comitê de bioética deve ser acionado em casos de conflito ético complexo, divergência entre familiares ou equipe, ou quando há dúvidas sobre a validade das diretivas. Em uma emergência com vontade clara, o foco é o alívio do sofrimento.

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