UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020
Paciente, 56 anos, feminina, com diagnóstico de câncer de colo uterino, internada por piora de quadro clínico. Os familiares apresentaram ao médico uma recomendação do oncologista em priorizar as medidas clínicas não invasivas em detrimento das invasivas, uma vez que a paciente encontrava-se em cuidados paliativos exclusivos. Nas últimas 24 horas, a paciente apresentou piora do quadro respiratório, com respiração ruidosa e esforço muscular intenso. Os familiares chamaram o médico e afirmaram que a paciente está se "afogando". Qual a MELHOR conduta frente a este quadro?
Paciente terminal com respiração ruidosa → Explicar à família que é por secreções, não sufocamento.
A respiração ruidosa ("estertores da morte") em pacientes em cuidados paliativos é comum e decorre do acúmulo de secreções nas vias aéreas superiores, sem que o paciente esteja consciente ou sentindo sufocamento. A comunicação clara com a família é essencial para aliviar a angústia e evitar intervenções invasivas desnecessárias.
Em pacientes em cuidados paliativos exclusivos, especialmente na fase final da vida, a prioridade é o conforto e a dignidade, evitando a distanásia (prolongamento artificial da vida sem benefício). Um dos quadros mais angustiantes para a família e cuidadores é a respiração ruidosa, popularmente conhecida como 'estertores da morte'. Este fenômeno ocorre devido ao acúmulo de secreções na orofaringe e nas vias aéreas superiores, que o paciente, devido à fraqueza e à diminuição do nível de consciência, não consegue mais deglutir ou tossir eficazmente. A percepção da família de que o paciente está 'se afogando' é comum e gera grande sofrimento. A melhor conduta do médico é a comunicação empática e clara. Deve-se explicar que esses sons são decorrentes das secreções e que, na maioria dos casos, o paciente não está consciente ou sentindo sufocamento. O foco é aliviar a angústia da família e garantir que o paciente esteja o mais confortável possível, sem recorrer a medidas invasivas que não trarão benefício e podem, inclusive, aumentar o desconforto. As intervenções para a respiração ruidosa em cuidados paliativos incluem o reposicionamento do paciente (decúbito lateral), elevação da cabeceira e, se necessário, o uso de medicamentos anticolinérgicos como a escopolamina ou o glicopirrolato, que ajudam a reduzir a produção de secreções. A aspiração de rotina é geralmente contraindicada, pois é invasiva, pode ser dolorosa e raramente eficaz na remoção de secreções mais profundas, além de poder estimular mais secreção. A ventilação mecânica é uma medida de suporte à vida e é contraindicada em pacientes em cuidados paliativos exclusivos.
Os 'estertores da morte' ou respiração ruidosa são sons gorgolejantes ou borbulhantes que ocorrem em pacientes próximos ao fim da vida devido ao acúmulo de secreções nas vias aéreas superiores, que o paciente não consegue mais deglutir ou tossir eficazmente.
É fundamental explicar à família que esses sons são comuns no processo de morrer, que o paciente geralmente não está consciente ou sentindo sufocamento, e que o foco é manter o conforto, evitando intervenções invasivas desnecessárias.
As medidas incluem reposicionamento do paciente (decúbito lateral), elevação da cabeceira, e uso de anticolinérgicos como escopolamina ou glicopirrolato para reduzir a produção de secreções. A aspiração de rotina é geralmente contraindicada, pois pode causar desconforto.
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