AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024
Maria, 82 anos, ex-tabagista, revascularizada com 1 ponte de mamária para descendente anterior e 1 ponte de safena para ramo marginal há 8 anos, recentemente submetida a cateterismo cardíaco, no qual concluiu-se que não havia vasos passíveis de angioplastia, interna pela terceira vez nos últimos 2 meses por piora da dispneia de base. Manejo do caso com restrição sódica, diureticoterapia de alça e ajuste nos anti-HAS. Após melhora sintomática, realizado ecocardiografia, que evidenciou fração de ejeção de 19%, além de áreas difusas de hipocinesia. Geriatra que acompanhou o caso abordou a paciente e familiares sobre cuidados paliativos antes da alta e, após esclarecimentos, definiram em conjunto que em nova internação, caso paciente evolua com piora progressiva refratária a manejo clínico, não sejam tomadas medidas invasivas, como intubação orotraqueal, ventilação mecânica ou hemodiálise. Acerca do caso e sua condução, assinale a alternativa correta.
IC avançada + cuidados paliativos → foco em qualidade de vida e autonomia do paciente, manejo domiciliar possível.
A discussão sobre cuidados paliativos é fundamental em doenças crônicas avançadas, como a insuficiência cardíaca com fração de ejeção muito reduzida, e deve ocorrer precocemente, não apenas na terminalidade. O objetivo é alinhar o tratamento aos valores e desejos do paciente, permitindo, inclusive, o manejo de descompensações em domicílio quando apropriado.
Os cuidados paliativos representam uma abordagem que visa melhorar a qualidade de vida de pacientes e suas famílias que enfrentam problemas associados a doenças que ameaçam a vida. Na cardiologia, a insuficiência cardíaca avançada é uma condição crônica e progressiva que se beneficia enormemente da integração precoce dos cuidados paliativos, não apenas na fase terminal. A prevalência de insuficiência cardíaca aumenta com a idade, e muitos pacientes idosos, como Maria, apresentam múltiplas comorbidades e um prognóstico reservado. A discussão sobre diretivas antecipadas de vontade e o planejamento de cuidados são pilares dos cuidados paliativos. Isso envolve conversas abertas e honestas com o paciente e seus familiares sobre o curso da doença, opções de tratamento, prognóstico e, crucialmente, os valores e preferências do paciente em relação a intervenções médicas futuras. O objetivo é garantir que as decisões de tratamento reflitam a autonomia do paciente, mesmo em momentos de crise. A condução do caso de Maria exemplifica a importância de uma abordagem centrada no paciente. A possibilidade de manejar sintomas em domicílio, evitando internações hospitalares desnecessárias e invasivas, é um aspecto fundamental dos cuidados paliativos, que busca otimizar o conforto e a qualidade de vida, mantendo o foco no controle de sintomas e no suporte psicossocial, sem necessariamente abdicar de terapêuticas para a doença de base, se estas contribuírem para o bem-estar.
A discussão sobre cuidados paliativos deve ser iniciada precocemente em pacientes com insuficiência cardíaca avançada, independentemente da proximidade da terminalidade, para alinhar o tratamento aos valores e preferências do paciente.
O planejamento de cuidados permite que o paciente e sua família expressem seus desejos, garantindo que as intervenções médicas estejam alinhadas com suas metas e valores, promovendo autonomia e qualidade de vida.
Sim, em alguns casos, descompensações de insuficiência cardíaca podem ser manejadas em domicílio, especialmente quando há um plano de cuidados paliativos bem estabelecido e suporte adequado, evitando internações desnecessárias.
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