Comunicação e Empatia em Cuidados Paliativos

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2026

Enunciado

Homem de 68 anos, casado, pai de dois filhos adultos, encontra-se no domicílio devido à melhora relativa da progressão de sua doença de base, que é carcinoma espinocelular de laringe. Foi internado há uma semana com quadro de confusão mental, dispneia e ingesta oral reduzida a poucas colheres. O paciente encontrava-se muito ansioso e agitado, perguntando ao médico se estava morrendo. Considerando a comunicação no momento do processo saúde-doença do paciente, deve-se:

Alternativas

  1. A) Focar nos procedimentos médicos, dando atenção às preocupações do paciente só após estabilizá-lo.
  2. B) Responder às perguntas do paciente sobre o próprio prognóstico, de maneira direta e concisa.
  3. C) Comunicar o prognóstico vagamente para não fomentar a ansiedade do paciente.
  4. D) Explorar as emoções e preocupações do paciente, focando na qualidade de vida.

Pérola Clínica

Ansiedade no fim de vida → Escuta ativa e exploração de emoções/preocupações.

Resumo-Chave

A comunicação em cuidados paliativos deve priorizar a compreensão do sofrimento multidimensional do paciente, validando suas emoções e focando na qualidade de vida.

Contexto Educacional

A comunicação eficaz é uma intervenção terapêutica fundamental em cuidados paliativos. Pacientes com doenças avançadas, como o carcinoma de laringe citado, frequentemente enfrentam angústia espiritual e existencial. Quando um paciente questiona sobre sua morte, ele não busca apenas um dado estatístico, mas acolhimento para seus medos. Explorar as emoções permite ao médico identificar demandas não atendidas, como dor não controlada, medo do abandono ou preocupações com a família. Essa abordagem fortalece o vínculo terapêutico e permite que o plano de cuidados seja alinhado aos valores e desejos do paciente, garantindo dignidade no processo de morrer.

Perguntas Frequentes

Como abordar o paciente que pergunta se está morrendo?

A abordagem deve ser honesta, mas empática. Antes de responder diretamente, é útil explorar o que o paciente já sabe e o que o levou a fazer essa pergunta (técnica do 'perguntar-responder-perguntar'). Deve-se validar o medo e a ansiedade, garantindo que o foco da equipe será o controle de sintomas e o suporte contínuo, independentemente do prognóstico.

O que é o Protocolo SPIKES?

O SPIKES é um guia de seis etapas para comunicação de notícias difíceis: Setting (preparar o ambiente), Perception (perceber o que o paciente sabe), Invitation (convite para saber a verdade), Knowledge (dar a informação), Emotions (acolher as emoções) e Strategy/Summary (estratégia e resumo). Ele ajuda a estruturar a conversa de forma humanizada.

Qual o papel da família na comunicação de prognóstico?

A família é parte essencial da unidade de cuidado, mas o direito à informação pertence primariamente ao paciente, se ele estiver lúcido. O médico deve mediar a comunicação entre paciente e família, evitando a 'conspiração do silêncio', onde a família tenta esconder o diagnóstico do paciente, o que geralmente aumenta o isolamento e o sofrimento deste.

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