SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2024
Antônio, de 97 anos de idade, foi atendido em visita domiciliar de rotina por seu médico de família. Ele possui um câncer de bexiga em estágio IV, avançado. Seu médico já conduziu as diretivas antecipadas de vontade de Antônio e foi acordado que era de sua vontade ter seu óbito domiciliar. Nas últimas três semanas, os familiares notaram que a respiração de Antônio estava mais ruidosa e curta. No entanto, sempre que colocavam o oxímetro em seu dedo, sua saturação estava em 97%. O exame físico conduzido pelo médico não evidenciou alterações na ausculta pulmonar e contou uma FR de 28 ipm. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa que apresenta a opção medicamentosa com maior evidência para dar conforto a Antônio
Dispneia em paciente terminal com saturação normal → Morfina é a droga de escolha para conforto.
A sensação de dispneia em pacientes terminais, mesmo com saturação de oxigênio normal, é um sintoma subjetivo que causa grande desconforto. A morfina atua no sistema nervoso central, reduzindo a percepção da dispneia e a ansiedade associada, sendo a intervenção medicamentosa com maior evidência para alívio sintomático.
Cuidados paliativos focam na qualidade de vida e alívio do sofrimento em pacientes com doenças graves e incuráveis. A dispneia é um sintoma comum e angustiante no fim da vida, afetando até 70% dos pacientes com câncer avançado. O manejo eficaz da dispneia é crucial para garantir o conforto e a dignidade do paciente, sendo uma prioridade nos cuidados paliativos. A dispneia é uma experiência subjetiva de desconforto respiratório, que pode não se correlacionar diretamente com parâmetros objetivos como a saturação de oxigênio. Em pacientes terminais, a fisiopatologia pode envolver múltiplos fatores, incluindo fraqueza muscular, acúmulo de secreções, ansiedade e progressão da doença. O diagnóstico é clínico, baseado no relato do paciente e na observação dos familiares, sendo fundamental valorizar a percepção do paciente. A morfina é a droga de escolha para o manejo da dispneia em cuidados paliativos, com forte evidência de eficácia, mesmo em pacientes com saturação normal. Ela deve ser iniciada em doses baixas e titulada conforme a resposta, com monitoramento de efeitos adversos. Outras medidas incluem ventilação não invasiva, posicionamento, e tratamento de causas reversíveis, mas a morfina é o pilar do tratamento farmacológico para o alívio sintomático.
A morfina é indicada para reduzir a sensação subjetiva de dispneia e a ansiedade associada em pacientes terminais, independentemente da saturação de oxigênio, visando o conforto e a qualidade de vida.
O oxigênio suplementar tem pouca evidência de benefício na dispneia em pacientes com saturação normal. O foco deve ser no alívio do sintoma subjetivo, para o qual a morfina é mais eficaz e com maior evidência.
A morfina atua no sistema nervoso central, modulando a percepção da dispneia e reduzindo a resposta ventilatória ao CO2, além de diminuir a ansiedade e o trabalho respiratório, proporcionando conforto.
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