Queimaduras: Cuidados Locais e Indicação de Enxertia de Pele

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

O cuidado local com a área queimada é, ao lado do atendimento inicial, o fator determinante da evolução do paciente queimado. Sobre tais cuidados,

Alternativas

  1. A) queimaduras de primeiro grau se caracterizam por hiperemia e dor intensa e devem ser tratadas com curativos oclusivos e trocas diárias.
  2. B) queimaduras que demorem mais do que 2 a 3 semanas para epitelização devem ser tratadas com excisão e enxertia.
  3. C) queimaduras de espessura parcial, atingindo as extremidades, podem necessitar de escarotomias para prevenir a síndrome compartimental.
  4. D) queimaduras de espessura total, desde que localizadas em áreas de pele mais frouxa, podem cicatrizar por contração da ferida sem o risco de sequelas significativas.

Pérola Clínica

Queimaduras > 2-3 semanas para epitelizar → excisão e enxertia para evitar sequelas.

Resumo-Chave

O tempo de epitelização é um fator crucial na decisão terapêutica de queimaduras. Queimaduras de espessura parcial profunda ou total que não cicatrizam espontaneamente em 2 a 3 semanas têm um risco elevado de cicatrização patológica, sendo a excisão e enxertia de pele o tratamento de escolha para otimizar o resultado funcional e estético.

Contexto Educacional

O cuidado local da área queimada é um pilar fundamental no manejo do paciente queimado, impactando diretamente a evolução, o tempo de internação e o resultado funcional e estético. A avaliação da profundidade da queimadura é crucial para determinar a conduta terapêutica adequada. Queimaduras de primeiro grau afetam apenas a epiderme, enquanto as de segundo grau envolvem a derme (superficial ou profunda) e as de terceiro grau atingem todas as camadas da pele e anexos. Queimaduras de espessura parcial superficial geralmente epitelizam em menos de duas semanas com curativos simples. No entanto, queimaduras de espessura parcial profunda ou de espessura total que não cicatrizam espontaneamente em 2 a 3 semanas apresentam alto risco de infecção, cicatrização hipertrófica e contraturas. Nesses casos, a excisão cirúrgica do tecido desvitalizado e a enxertia de pele são procedimentos essenciais para promover a cicatrização, reduzir sequelas e melhorar a função. Outros cuidados incluem o controle da dor, a prevenção de infecções com antimicrobianos tópicos, e a realização de escarotomias em queimaduras de espessura total circunferências que comprometem a circulação ou a ventilação. A reabilitação precoce, com fisioterapia e terapia ocupacional, é vital para minimizar as contraturas e restaurar a função após a cicatrização ou enxertia.

Perguntas Frequentes

Quando a excisão e enxertia de pele são indicadas em queimaduras?

São indicadas para queimaduras de espessura parcial profunda ou total que não demonstram sinais de epitelização espontânea em 2 a 3 semanas, a fim de prevenir infecções, reduzir o tempo de internação e minimizar cicatrizes disfuncionais.

Qual a diferença entre queimadura de primeiro, segundo e terceiro grau no tratamento?

Queimaduras de primeiro grau são tratadas sintomaticamente. Segundo grau superficial com curativos simples. Segundo grau profundo e terceiro grau frequentemente necessitam de desbridamento e enxertia, além de curativos específicos.

O que é escarotomia e quando é realizada?

Escarotomia é uma incisão cirúrgica na escara rígida de uma queimadura de espessura total circunferencial, realizada para aliviar a pressão e restaurar a circulação sanguínea ou a expansão torácica, prevenindo a síndrome compartimental.

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