INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Um paciente com 75 anos de idade, casado, com história de acidente vascular cerebral recente, é avaliado pela Equipe de Saúde da Família (ESF). O paciente apresenta grande incapacidade física (acamado, recebendo alimentação através de sonda nasoentérica), tem relativa preservação cognitiva e necessita de diversos cuidados contínuos, tais como: uso de várias medicações, desobstrução da sonda, manutenção de hidratação adequada, movimentação no leito, cuidado com escaras e orientação aos cuidadores. O planejamento do cuidado à saúde deste idoso deve ser baseado em:
Cuidado ao idoso complexo = Decisões compartilhadas entre equipe + família + paciente.
O planejamento do cuidado na Atenção Primária deve ser colaborativo, integrando a equipe técnica, a rede de apoio familiar e a autonomia do paciente, visando a integralidade.
O envelhecimento populacional e o aumento das doenças crônicas não transmissíveis, como o AVC, impõem desafios à Estratégia Saúde da Família. O cuidado de pacientes com alta dependência exige uma abordagem multiprofissional e intersetorial. O Projeto Terapêutico Singular (PTS) surge como ferramenta fundamental, permitindo que a equipe de saúde, o paciente e seus cuidadores estabeleçam prioridades. A integralidade do cuidado não significa que o Estado assume todas as funções, mas que coordena o cuidado de forma a garantir que todas as necessidades (médicas, sociais e psicológicas) sejam endereçadas de forma articulada.
A decisão compartilhada é um modelo de cuidado onde profissionais de saúde e pacientes (ou seus representantes) trabalham juntos para escolher intervenções e planos de tratamento baseados em evidências clínicas, mas também nos valores, preferências e contexto social do paciente. Na ESF, isso envolve pactuar metas de cuidado que sejam exequíveis para a família e respeitem a dignidade do idoso.
O manejo envolve a capacitação técnica do cuidador (para evitar lesões por pressão, manusear sondas, etc.) e o suporte emocional pela equipe. A ESF deve identificar sinais de sobrecarga e articular redes de apoio, mas a responsabilidade do cuidado diário é compartilhada, não sendo obrigação da equipe realizar visitas diárias para cuidados de rotina que podem ser delegados e supervisionados.
Mesmo com grande incapacidade física, se a cognição está preservada, o idoso deve ser o protagonista de suas decisões. Ele deve ser consultado sobre suas rotinas, preferências alimentares e limites terapêuticos. Ignorar a autonomia do idoso em favor de decisões puramente familiares ou médicas fere os princípios da bioética e do cuidado centrado na pessoa.
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