Santa Casa de Alfenas - Casa de Caridade (MG) — Prova 2024
Pré-escolar de 2 anos de idade se apresenta em pronto socorro com quadro de resfriado iniciado há 1 dia e surgimento de tosse rouca, estridor laríngeo em repouso, sem confusão mental ou agitação. Refere quadro semelhante anteriormente. Assinale a opção que contempla a melhor opção de tratamento inicial:
Crupe moderado (estridor em repouso) → Dexametasona (oral/IM/EV). Piora (agitação/confusão) → Adrenalina nebulizada.
O quadro de tosse rouca e estridor laríngeo em repouso em um pré-escolar, após um resfriado, é clássico de crupe viral moderado. O tratamento inicial de escolha são os corticosteroides sistêmicos (dexametasona) ou inalatórios (budesonida). A adrenalina nebulizada é reservada para casos mais graves ou com piora clínica, como dispneia intensa, agitação ou confusão mental.
O crupe viral, ou laringotraqueobronquite, é uma causa comum de obstrução de vias aéreas superiores em crianças pequenas, tipicamente entre 6 meses e 3 anos de idade. Caracteriza-se por tosse rouca (tosse de cachorro), estridor inspiratório e rouquidão, geralmente precedido por sintomas de resfriado. O residente deve ser capaz de reconhecer o quadro clínico e classificar a gravidade para instituir o tratamento adequado, que visa reduzir o edema da via aérea e aliviar a obstrução. O tratamento inicial para crupe com estridor em repouso (crupe moderado) é a administração de corticosteroides. A dexametasona é a droga de escolha devido à sua eficácia, longa duração de ação e flexibilidade de vias de administração (oral, intramuscular ou endovenosa). Alternativas incluem prednisolona oral ou budesonida nebulizada. Os corticosteroides atuam reduzindo a inflamação e o edema da mucosa laríngea, melhorando os sintomas de forma sustentada. Em casos de crupe grave, ou quando há piora clínica com dispneia acentuada, agitação ou confusão mental, a nebulização com adrenalina (epinefrina racêmica) deve ser associada. A adrenalina causa vasoconstrição local, promovendo uma rápida, porém temporária, redução do edema. É fundamental que o paciente seja observado por algumas horas após a adrenalina devido ao risco de efeito rebote. A hidratação e o suporte são importantes, mas antibióticos e broncodilatadores como salbutamol não têm papel no tratamento do crupe viral.
A gravidade do crupe é classificada com base na presença de estridor, tiragem, nível de consciência e cianose. Crupe leve tem tosse rouca e estridor apenas ao choro/agitação. Crupe moderado apresenta tosse rouca e estridor em repouso, com tiragem leve. Crupe grave tem estridor em repouso, tiragem acentuada, agitação ou letargia, e pode ter cianose.
A dexametasona é um corticosteroide potente que reduz o edema da mucosa laríngea, diminuindo a inflamação e melhorando o estridor e a dificuldade respiratória. Sua longa duração de ação permite uma dose única, e pode ser administrada por via oral, intramuscular ou endovenosa, sendo eficaz em todas as formas de crupe, exceto as muito leves.
A nebulização com adrenalina (epinefrina racêmica) é indicada para casos de crupe moderado a grave, especialmente quando há estridor em repouso significativo, dispneia acentuada, agitação ou confusão mental. Ela promove vasoconstrição local, reduzindo rapidamente o edema da via aérea, mas seu efeito é transitório, sendo frequentemente associada a corticosteroides.
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