Crupe Viral Moderado: Tratamento com Dexametasona e Epinefrina

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 5 anos, do sexo masculino, apresenta quadro de coriza clara, faringite, tosse leve e febre baixa há 48 horas. Evolui com quadro de estridor leve em repouso, retração intercostal moderada, saturação de O2 de 94%, apresentando agitação sob estímulo. Sua ausculta pulmonar mostra murmúrio vesicular reduzido globalmente. Sobre o quadro descrito, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) se trata de um quadro de crupe viral leve devendo ser realizada dose única de dexametasona 0,3 mg/kg e alta logo após.
  2. B) se trata de um quadro de supraglotite e é indicada a intubação eletiva para proteção da via aérea.
  3. C) o tratamento de escolha para esse caso é a realização de nebulização com epinefrina 0,5 ml/kg (dose máxima de 5 ml) associada a realização de dexametasona (0,3 a 0,6 mg/kg) pela via IM e observação mínima por 4 horas.
  4. D) o tratamento de escolha para esse caso é a realização de Salbutamol 6 puffs a cada 20 minutos, associada à realização de dexametasona (0,3 a 0,6 mg/kg) podendo a criança ter alta após a melhora clínica.
  5. E) a eficácia da dexametasona por administração oral é muito inferior da realizada pela via intramuscular e por isso o uso oral é proscrito nos casos de crupe viral.

Pérola Clínica

Crupe moderado (estridor em repouso, retrações) → Dexametasona + Epinefrina nebulizada.

Resumo-Chave

O crupe viral (laringotraqueobronquite) é uma causa comum de estridor em crianças. A gravidade determina o tratamento. Casos moderados, com estridor em repouso e retrações, requerem dexametasona (oral ou IM) e nebulização com epinefrina para reduzir o edema das vias aéreas.

Contexto Educacional

O crupe viral, ou laringotraqueobronquite, é uma infecção comum das vias aéreas superiores em crianças, geralmente causada pelo vírus parainfluenza. Caracteriza-se por tosse ladrante, rouquidão e estridor, resultantes do edema subglótico. A avaliação da gravidade, frequentemente pela Escala de Westley, é fundamental para guiar o tratamento. O caso descrito, com estridor leve em repouso, retração intercostal moderada e saturação de 94%, indica um quadro de crupe moderado. Nesses casos, a conduta terapêutica inclui a administração de corticosteroides (dexametasona, oral ou intramuscular) para reduzir a inflamação e o edema, e nebulização com epinefrina para promover vasoconstrição e alívio rápido do estridor. É crucial que residentes saibam identificar a gravidade do crupe e aplicar o tratamento adequado. A dexametasona oral tem eficácia comparável à intramuscular e é preferível quando possível. A observação após a epinefrina é importante para monitorar a recorrência do estridor. O diagnóstico diferencial com supraglotite é vital devido à sua maior gravidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de crupe viral moderado?

O crupe viral moderado é caracterizado por estridor em repouso, tosse ladrante, rouquidão e retrações intercostais leves a moderadas. A criança pode apresentar agitação sob estímulo, mas sem sinais de exaustão respiratória iminente.

Qual o tratamento de escolha para crupe viral moderado?

O tratamento de escolha para crupe viral moderado inclui uma dose única de dexametasona (0,3 a 0,6 mg/kg, oral ou IM) e nebulização com epinefrina (0,5 mL/kg de solução 1:1000, dose máxima de 5 mL). A observação mínima de 4 horas após a epinefrina é recomendada.

Como diferenciar crupe viral de supraglotite (epiglotite)?

O crupe viral geralmente tem início gradual, tosse ladrante, rouquidão e estridor. A supraglotite tem início súbito, febre alta, disfagia intensa, sialorreia, voz abafada e postura de tripé, sem tosse ladrante, sendo uma emergência com alto risco de obstrução total da via aérea.

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