CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2016
Paciente de 48 anos de idade refere baixa visão do olho direito desde a infância, após trauma ocular com arame. Nega embaçamento visual do olho esquerdo. Sua acuidade visual sem correção é de 0,1 no olho direito e de 1,0 no esquerdo. A figura a seguir representa a topografia de córnea do olho direito. Qual a alternativa mais provável?
Crosslinking (CXL) → Indicado apenas para ectasias progressivas; não indicado em olhos normais ou estáveis.
O crosslinking visa aumentar a rigidez estromal em córneas com ectasia progressiva; no caso clínico, o olho esquerdo é normal, contraindicando o procedimento.
A topografia de córnea é essencial para diferenciar astigmatismos regulares de irregulares e identificar ectasias. No contexto de trauma ocular na infância, a baixa visão (0,1) no olho direito provavelmente decorre de ambliopia ex anopsia ou cicatriz corneana central. O manejo de tais casos foca na reabilitação visual (lentes de contato especiais ou transplante de córnea se indicado), enquanto o olho contralateral saudável deve ser apenas monitorado.
O Crosslinking de colágeno corneano é indicado primariamente para ceratocone progressivo e ectasias iatrogênicas pós-cirurgia refrativa. A progressão é definida por critérios como aumento da curvatura máxima (Kmax) ≥ 1.00 D em 12 meses, aumento do astigmatismo ou afinamento corneano progressivo. O objetivo do CXL não é melhorar a acuidade visual ou 'curar' o ceratocone, mas sim criar ligações covalentes entre as fibras de colágeno para estabilizar a córnea e impedir a progressão da doença.
Traumas oculares com objetos perfurantes (como arame) frequentemente resultam em cicatrizes corneanas (leucomas) que geram astigmatismo irregular severo. Na topografia, isso se manifesta como uma distorção dos anéis de Placido e mapas de curvatura assimétricos. Diferente do ceratocone, que é uma doença bilateral e progressiva, o astigmatismo pós-traumático é estático e localizado na área da cicatriz, não respondendo a tratamentos para ectasia como o crosslinking.
O olho esquerdo do paciente apresenta acuidade visual de 1.0 (normal) e não há queixas de embaçamento ou sinais de ectasia progressiva. O crosslinking é um procedimento cirúrgico com riscos (como ceratite infecciosa ou haze) e só deve ser realizado quando há evidência de doença ectásica em evolução. Em um olho saudável com visão plena, o procedimento não traz benefícios e expõe o paciente a riscos desnecessários.
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