Crosslinking de Córnea: O Papel da Riboflavina e UV-A

CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2017

Enunciado

Qual das substâncias, abaixo, é utilizada habitualmente em combinação com a luz ultravioleta durante procedimento de indução de ligações covalentes do colágeno da córnea (crosslinking)?

Alternativas

  1. A) Clorexidina
  2. B) Riboflavina
  3. C) Mitomicina
  4. D) Carboximetilcelulose

Pérola Clínica

Crosslinking (CXL) = Riboflavina + UV-A → ↑ rigidez estromal no ceratocone.

Resumo-Chave

O procedimento utiliza a riboflavina (vitamina B2) como fotossensibilizador que, sob luz UV-A, gera radicais livres de oxigênio, fortalecendo as fibras de colágeno através de novas ligações covalentes.

Contexto Educacional

O crosslinking de colágeno corneano (CXL) revolucionou o tratamento do ceratocone ao oferecer uma intervenção capaz de modificar a história natural da doença. Antes de sua introdução, o manejo era puramente óptico até que a falência da adaptação de lentes de contato ou a hidropisia levassem ao transplante. O protocolo clássico de Dresden envolve a desepitelização central (epi-off) para permitir a penetração da riboflavina no estroma. Fisiopatologicamente, a córnea no ceratocone apresenta uma redução na densidade de ligações entre as lamelas de colágeno, tornando-a complacente e sujeita à deformação pela pressão intraocular. A indução de ligações covalentes via riboflavina/UV-A restaura parte dessa resistência mecânica. Estudos de longo prazo demonstram que o CXL é altamente eficaz em estabilizar a curvatura máxima (Kmax) e preservar a visão em pacientes jovens com doença ativa.

Perguntas Frequentes

Qual a função da riboflavina no crosslinking?

A riboflavina atua como um agente fotossensibilizador. Quando aplicada na córnea e exposta à luz ultravioleta A (UV-A), ela absorve a energia luminosa e desencadeia uma reação fotoquímica que resulta na formação de radicais livres de oxigênio. Esses radicais promovem a criação de novas ligações covalentes entre as fibras de colágeno estromais, aumentando significativamente a rigidez e a estabilidade biomecânica da córnea, o que é fundamental para interromper a progressão do ceratocone.

Quais são as principais indicações do crosslinking?

A indicação primária é o ceratocone progressivo, visando evitar a necessidade de um transplante de córnea futuro. Também é indicado em casos de ectasia pós-cirurgia refrativa (como LASIK) e em ceratopatia bolhosa inicial em alguns protocolos. O objetivo não é a melhora da acuidade visual per se, mas sim a estabilização da curvatura corneana, embora muitos pacientes apresentem melhora secundária devido à regularização da superfície.

Existem contraindicações para o procedimento?

Sim, as principais contraindicações incluem córneas excessivamente finas (geralmente < 400 micras após a remoção do epitélio, para proteger o endotélio da radiação UV), cicatrizes corneanas centrais densas, histórico de ceratite herpética ativa e doenças autoimunes graves que afetam a cicatrização ocular. A avaliação rigorosa da paquimetria e da topografia é essencial antes da indicação cirúrgica.

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