CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2017
Qual das substâncias, abaixo, é utilizada habitualmente em combinação com a luz ultravioleta durante procedimento de indução de ligações covalentes do colágeno da córnea (crosslinking)?
Crosslinking (CXL) = Riboflavina + UV-A → ↑ rigidez estromal no ceratocone.
O procedimento utiliza a riboflavina (vitamina B2) como fotossensibilizador que, sob luz UV-A, gera radicais livres de oxigênio, fortalecendo as fibras de colágeno através de novas ligações covalentes.
O crosslinking de colágeno corneano (CXL) revolucionou o tratamento do ceratocone ao oferecer uma intervenção capaz de modificar a história natural da doença. Antes de sua introdução, o manejo era puramente óptico até que a falência da adaptação de lentes de contato ou a hidropisia levassem ao transplante. O protocolo clássico de Dresden envolve a desepitelização central (epi-off) para permitir a penetração da riboflavina no estroma. Fisiopatologicamente, a córnea no ceratocone apresenta uma redução na densidade de ligações entre as lamelas de colágeno, tornando-a complacente e sujeita à deformação pela pressão intraocular. A indução de ligações covalentes via riboflavina/UV-A restaura parte dessa resistência mecânica. Estudos de longo prazo demonstram que o CXL é altamente eficaz em estabilizar a curvatura máxima (Kmax) e preservar a visão em pacientes jovens com doença ativa.
A riboflavina atua como um agente fotossensibilizador. Quando aplicada na córnea e exposta à luz ultravioleta A (UV-A), ela absorve a energia luminosa e desencadeia uma reação fotoquímica que resulta na formação de radicais livres de oxigênio. Esses radicais promovem a criação de novas ligações covalentes entre as fibras de colágeno estromais, aumentando significativamente a rigidez e a estabilidade biomecânica da córnea, o que é fundamental para interromper a progressão do ceratocone.
A indicação primária é o ceratocone progressivo, visando evitar a necessidade de um transplante de córnea futuro. Também é indicado em casos de ectasia pós-cirurgia refrativa (como LASIK) e em ceratopatia bolhosa inicial em alguns protocolos. O objetivo não é a melhora da acuidade visual per se, mas sim a estabilização da curvatura corneana, embora muitos pacientes apresentem melhora secundária devido à regularização da superfície.
Sim, as principais contraindicações incluem córneas excessivamente finas (geralmente < 400 micras após a remoção do epitélio, para proteger o endotélio da radiação UV), cicatrizes corneanas centrais densas, histórico de ceratite herpética ativa e doenças autoimunes graves que afetam a cicatrização ocular. A avaliação rigorosa da paquimetria e da topografia é essencial antes da indicação cirúrgica.
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