CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2011
Considerando as informações a seguir, qual dos pacientes é um possível candidato ao tratamento demonstrado nas fotos?
Cross-linking (CXL) → Indicado para ceratocone com progressão documentada e espessura corneana adequada (>400µm).
O Cross-linking (CXL) visa interromper a progressão do ceratocone. O candidato ideal apresenta piora documentada da curvatura ou visão, mantendo espessura corneana segura para o procedimento.
O ceratocone é uma ectasia corneana não inflamatória caracterizada pelo afinamento e protrusão progressiva da córnea. O Cross-linking de colágeno (CXL) revolucionou o manejo dessa patologia ao criar novas ligações covalentes entre as fibras de colágeno estromal, aumentando a rigidez biomecânica da córnea. A seleção do paciente é crítica: pacientes muito jovens (crianças e adolescentes) tendem a progredir mais rápido e devem ser monitorados de perto. Pacientes acima de 35-40 anos frequentemente apresentam um 'cross-linking natural' devido ao envelhecimento e exposição UV, podendo não necessitar do procedimento se a doença estiver estável. A alternativa C destaca o cenário clássico: um adulto jovem com progressão ativa e visão ainda funcional com lentes, onde a intervenção visa preservar o status visual atual.
A progressão é geralmente definida por um aumento de ≥ 1,00 dioptria no K máximo (ceratometria) em 12 meses, aumento do astigmatismo, perda de linhas de visão ou afinamento corneano progressivo documentado por tomografia de córnea (Pentacam/Galilei). No caso clínico, o paciente de 28 anos com progressão documentada nos últimos 6 meses preenche perfeitamente o critério de instabilidade da ectasia, tornando-o o candidato ideal para o CXL.
O Cross-linking utiliza riboflavina e luz ultravioleta A (UVA). A radiação UVA pode ser tóxica para o endotélio corneano, que não se regenera. Para proteger o endotélio, o protocolo padrão (Dresden) exige que a córnea tenha pelo menos 400 micras de espessura após a remoção do epitélio. Pacientes com córneas muito finas (como o da alternativa D, com 346-378 µm) têm contraindicação relativa ou necessitam de protocolos modificados (hipotônicos) devido ao risco de falência endotelial.
O objetivo primário do Cross-linking não é a melhora da acuidade visual ou a redução do grau, mas sim a estabilização da córnea para evitar a progressão da ectasia e a necessidade futura de transplante. Embora alguns pacientes apresentem uma leve regularização da superfície e melhora da visão, o sucesso é definido pela manutenção dos parâmetros topográficos pré-operatórios. O uso de lentes de contato rígidas continua sendo necessário para a reabilitação visual após o procedimento.
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