CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
A técnica denominada cross linking do colágeno do estroma da córnea, utilizando colírio de riboflavina e irradiação por luz ultravioleta, tem por objetivo:
Cross-linking (CXL) = Riboflavina + UVA → ↑ rigidez estromal → interrompe progressão da ectasia.
O cross-linking visa fortalecer as ligações covalentes entre as fibras de colágeno do estroma, aumentando a estabilidade biomecânica da córnea para impedir o avanço de doenças ectásicas.
O cross-linking de colágeno (CXL) revolucionou o manejo do ceratocone na última década. Antes de sua introdução, o tratamento era puramente paliativo (lentes de contato) ou invasivo (transplantes) quando a doença progredia. O protocolo de Dresden (epitélio-off) continua sendo o padrão-ouro, garantindo a penetração adequada da riboflavina no estroma. Fisiopatologicamente, a interação da luz UVA com a riboflavina gera radicais livres de oxigênio que induzem a formação de pontes de hidrogênio e ligações covalentes entre as moléculas de colágeno. Este processo aumenta o diâmetro das fibras colágenas e a resistência enzimática da córnea, tornando-a menos suscetível à deformação progressiva causada pela pressão intraocular.
O objetivo primordial do cross-linking (CXL) é aumentar a rigidez biomecânica do estroma corneano. Isso é alcançado através de uma reação fotoquímica entre a riboflavina (vitamina B2) e a luz ultravioleta A (UVA), que cria novas ligações covalentes entre as fibras de colágeno. Clinicamente, isso se traduz na interrupção ou retardo significativo da progressão de ectasias, como o ceratocone e a ectasia pós-cirurgia refrativa.
A indicação clássica é o ceratocone progressivo, documentado por mudanças na ceratometria, paquimetria ou acuidade visual. Também é indicado em casos de ectasia iatrogênica pós-LASIK e, em alguns protocolos experimentais, para o tratamento de ceratites infecciosas recalcitrantes (PACK-CXL), aproveitando o efeito germicida da radiação UVA e da riboflavina.
Não é o objetivo primário. Embora alguns pacientes apresentem uma leve redução da curvatura corneana (aplanamento) e melhora discreta na visão corrigida após o remodelamento estromal a longo prazo, o procedimento é considerado um sucesso se a topografia e a visão permanecerem estáveis, evitando a necessidade de um transplante de córnea futuro.
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