Critérios de Wilson e Jungner para Rastreamento Médico

UFSM/HUSM - Hospital Universitário de Santa Maria (RS) — Prova 2016

Enunciado

Segundo Stein, Zelmanowicz e Falavigna (2013), o rastreamento, também chamado de rastreio ou screening, pode ser definido como um processo que identifica pessoas aparentemente saudáveis, mas que poderiam apresentar maior risco de desenvolver uma doença ou maior probabilidade de ter uma determinada condição clínica; as quais, uma vez identificadas, se confirmadas com segurança, deveriam receber um tratamento capaz de reduzir o risco e/ou complicação da doença em questão. Com relação ao rastreamento de indivíduos assintomáticos, responda à questão seguinte. Considerando os critérios para justificar um determinado rastreamento, avalie as alternativas a seguir:I – A doença a ser rastreada deve ser relativamente frequente e importante do ponto de vista clínico, em termos de magnitude, transcendência e vulnerabilidade; e deve ter uma fase pré-clínica (assintomática) conhecida e bem estabelecida.II – O teste de rastreamento deve ser capaz de detectar a doença em fase assintomática, com baixos índices de falso-negativos e falso-positivos, ou seja, com alta sensibilidade e alta especificidade.III – O teste de rastreamento deve ser seguro e ter custo aceitável do ponto de vista financeiro, social e físico.IV – A implementação do teste de rastreamento deve ser capaz de aumentar as taxas de incidência da doença nos indivíduos rastreados. V – Caso a doença seja diagnosticada corretamente em sua fase assintomática pelo teste de rastreamento, deve estar disponível um tratamento efetivo com capacidade de alterar a história natural dessa doença – sendo que este tratamento não deve ser pior do que a própria doença.Correspondem a princípios para a implementação de programas e políticas de rastreamento:

Alternativas

  1. A) somente as alternativas I, II, III e V.
  2. B) somente as alternativas I, II, III e IV.
  3. C) somente as alternativas II, III, IV e V.
  4. D) somente as alternativas I, III, IV e V.
  5. E) somente as alternativas I, II, IV e V.

Pérola Clínica

Rastreamento exige: doença importante + fase pré-clínica + teste seguro + tratamento eficaz.

Resumo-Chave

O rastreamento só é ético e eficaz se houver intervenção que mude o desfecho clínico e se o benefício superar os danos do teste.

Contexto Educacional

O rastreamento (screening) é uma estratégia de prevenção secundária que visa a detecção precoce de doenças. Para que um programa de rastreamento seja implementado em larga escala, ele deve seguir critérios rigorosos para evitar o 'overdiagnosis' e o 'overtreatment'. Os critérios de Wilson e Jungner permanecem como a base para essa avaliação, exigindo que a doença tenha uma fase pré-clínica identificável. Além da validade do teste (sensibilidade e especificidade), deve-se considerar a viabilidade econômica e a aceitabilidade pelo paciente. Um erro comum em provas é considerar que o rastreamento deve ser feito para qualquer doença; na verdade, ele é reservado para condições onde a intervenção precoce é comprovadamente superior ao tratamento na fase sintomática.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios para um rastreamento?

Os critérios clássicos, propostos por Wilson e Jungner para a OMS, incluem: a doença deve ser um problema de saúde importante; deve haver um tratamento aceito; instalações para diagnóstico devem estar disponíveis; deve haver um estágio latente ou assintomático; o teste deve ser aceitável e seguro; a história natural da condição deve ser compreendida; e o custo deve ser economicamente equilibrado.

O rastreamento aumenta a incidência de uma doença?

Não. O rastreamento não aumenta a incidência real (novos casos surgindo), mas aumenta a taxa de detecção e a prevalência aparente, pois identifica casos que já existiam mas ainda não haviam se manifestado clinicamente. Um programa de rastreamento eficaz foca em reduzir a mortalidade ou a morbidade.

Por que o tratamento deve ser melhor que a doença?

Este é um princípio ético fundamental (não maleficência). Como o rastreamento é proposto a pessoas assintomáticas, qualquer intervenção decorrente de um teste positivo deve ter um perfil de segurança e eficácia que garanta que o paciente terá um desfecho melhor do que se tivesse esperado os sintomas aparecerem.

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