CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026
A respeito dos níveis de prevenção e sobre os critérios de Wilson e Jungner (1968) para a justificação ética e operacional de um programa de rastreamento populacional (screening), qual das seguintes afirmações é VERDADEIRA?
Rastreamento exige fase latente conhecida e tratamento precoce comprovadamente superior ao tardio.
Os critérios de Wilson e Jungner estabelecem que, para um rastreamento ser ético e eficaz, a doença deve ter uma fase pré-sintomática identificável e um tratamento que mude o desfecho se iniciado precocemente.
Publicados pela OMS em 1968, os critérios de Wilson e Jungner continuam sendo a pedra angular da medicina preventiva e da saúde pública. Eles protegem a população contra o rastreamento inadequado, que pode levar ao sobrediagnóstico (overdiagnosis) e sobretratamento (overtreatment). Os 10 critérios incluem: a condição deve ser um problema de saúde importante; deve haver um tratamento aceito; instalações para diagnóstico e tratamento devem estar disponíveis; deve haver um estágio latente ou sintomático precoce; deve haver um teste ou exame adequado; o teste deve ser aceitável para a população; a história natural da condição deve ser adequadamente compreendida; deve haver uma política acordada sobre quem tratar; o custo deve ser economicamente equilibrado; e a busca de casos deve ser um processo contínuo.
A janela de oportunidade é o período entre a detecção possível da doença por um teste de rastreamento (fase pré-sintomática) e o momento em que os sintomas apareceriam. Para que o rastreamento seja útil, é fundamental conhecer a história natural da doença e garantir que a intervenção durante essa janela reduza a morbimortalidade de forma mais eficaz do que o tratamento após o início dos sintomas.
Wilson e Jungner estabeleceram que o custo da detecção de casos (incluindo diagnóstico e tratamento) deve ser economicamente equilibrado em relação aos gastos totais com assistência médica. Um programa de rastreamento consome recursos públicos significativos; portanto, deve-se provar que o investimento gera benefícios em saúde que justifiquem a alocação desses recursos em detrimento de outras necessidades.
Não. Embora uma alta especificidade seja desejável para evitar danos por resultados falso-positivos (como biópsias desnecessárias e ansiedade), nenhum teste é perfeito. O critério de Wilson e Jungner foca na aceitabilidade do teste pela população e na existência de uma política clara sobre quem tratar como paciente, equilibrando sensibilidade e especificidade conforme a gravidade da doença.
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