Transplante Hepático: Critérios de Indicação e HCC

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Entre os critérios para indicação de transplante hepático, assinale a alternativa INCORRETA.

Alternativas

  1. A) Cirrose por vírus da hepatite C, hipertensão portal, hepatocarcinoma com três nódulos, um em segmento IV de 2,3cm; outro em segmento VII de 2,7cm; e outro em segmento III de 2,9cm.
  2. B) Doença hepática policística, com síndrome compartimental.
  3. C) Cirrose hepática por esteato-hepatite não alcoólica, ascite refratária a tratamento medicamentoso.
  4. D) Cirrose por vírus B, hipertensão portal, hepatocarcinoma com dois nódulos, um em segmento II de 5,3cm e outro em segmento VIII de 2,2cm.

Pérola Clínica

HCC para transplante hepático: Critérios de Milão (1 nódulo <5cm ou até 3 nódulos <3cm).

Resumo-Chave

Os critérios de Milão são essenciais para a indicação de transplante hepático em pacientes com hepatocarcinoma (HCC), visando otimizar os resultados pós-transplante e a alocação de órgãos. Exceder esses critérios, como ter nódulos maiores ou em maior número, geralmente contraindica o transplante devido ao alto risco de recorrência do tumor.

Contexto Educacional

O transplante hepático é uma terapia salvadora para pacientes com doença hepática em estágio terminal ou insuficiência hepática aguda grave. A seleção rigorosa dos candidatos é fundamental para otimizar os resultados e garantir a alocação justa de órgãos escassos. Este é um tópico complexo e de alta relevância para a gastroenterologia, hepatologia e cirurgia, sendo frequentemente avaliado em exames de residência. As indicações para transplante hepático são diversas, incluindo cirrose descompensada de várias etiologias (vírus B, C, esteato-hepatite não alcoólica, doenças autoimunes), insuficiência hepática aguda e hepatocarcinoma que se enquadra nos critérios de Milão. Estes critérios (um nódulo ≤ 5 cm ou até três nódulos ≤ 3 cm, sem invasão vascular ou metástases) foram estabelecidos para selecionar pacientes com menor risco de recorrência tumoral pós-transplante. Condições como ascite refratária a tratamento medicamentoso e síndrome compartimental por doença hepática policística também são indicações importantes. É crucial que os residentes compreendam que exceder os critérios de Milão para hepatocarcinoma, como ter nódulos maiores ou em maior número do que o permitido, geralmente contraindica o transplante devido ao alto risco de recorrência da doença. A avaliação multidisciplinar é essencial para a tomada de decisão, considerando não apenas os critérios específicos da doença, mas também o estado geral do paciente e a presença de comorbidades que possam impactar o sucesso do transplante.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de Milão para transplante hepático em pacientes com hepatocarcinoma?

Os critérios de Milão para hepatocarcinoma incluem a presença de um único nódulo com diâmetro inferior ou igual a 5 cm, ou até três nódulos, nenhum deles com diâmetro superior a 3 cm. Não deve haver evidência de invasão vascular macroscópica ou disseminação extra-hepática.

Além do hepatocarcinoma, quais outras condições são indicações comuns para transplante hepático?

Outras indicações comuns para transplante hepático incluem cirrose hepática descompensada de diversas etiologias (como hepatites virais crônicas, cirrose biliar primária, colangite esclerosante primária, esteato-hepatite não alcoólica), insuficiência hepática aguda grave e algumas doenças metabólicas hereditárias.

Por que a doença hepática policística com síndrome compartimental pode ser uma indicação de transplante?

A doença hepática policística pode levar a um aumento massivo do fígado, causando compressão de órgãos adjacentes e resultando em síndrome compartimental abdominal, dor intratável, desnutrição e disfunção respiratória. Nesses casos, o transplante hepático pode ser a única opção para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

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