Critérios Diagnósticos do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES): SLICC e ACR

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2020

Enunciado

Sobre os critérios diagnósticos do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), assinale a afirmativa correta.

Alternativas

  1. A) Estão validados os critérios diagnósticos para LES do Colégio Americano de Reumatologia, criados em 1997, que nunca foram atualizados e os critérios diagnósticos denominados SLICC, de 2012. Ambos têm sensibilidade e especificidade abaixo de 90%.
  2. B) Conforme os critérios SLICC, são necessários pelo menos quatro critérios ou biópsia mostrando nefrite lúpica associada à positividade para o FAN ou Anti-DNA (ds. Nesses critérios, a alopécia foi incluída como critério clínico.
  3. C) Alterações inflamatórias como aumento do PCR e do VHS são úteis no diagnóstico do LES.
  4. D) FAN, Anti-DNA (ds, dosagem de complemento (C3, C4 e CH50, Anti-Sm e Anti-RO (SS-A são úteis no diagnóstico.

Pérola Clínica

SLICC LES: ≥4 critérios (≥1 clínico, ≥1 laboratorial) OU nefrite lúpica + FAN/Anti-DNA positivo; alopecia é critério clínico.

Resumo-Chave

Os critérios SLICC (Systemic Lupus International Collaborating Clinics) de 2012 para LES exigem pelo menos quatro critérios (sendo no mínimo um clínico e um laboratorial) ou nefrite lúpica comprovada por biópsia, na presença de FAN ou Anti-DNA ds positivo. A alopecia não cicatricial foi de fato incluída como um critério clínico nos SLICC, o que torna a alternativa B correta.

Contexto Educacional

O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica e multissistêmica, com uma ampla gama de manifestações clínicas, o que torna seu diagnóstico um desafio. Para padronizar e auxiliar no diagnóstico, foram desenvolvidos critérios de classificação, sendo os mais utilizados os do Colégio Americano de Reumatologia (ACR, 1997) e os do Systemic Lupus International Collaborating Clinics (SLICC, 2012). Os critérios SLICC, mais recentes e com maior sensibilidade, exigem a presença de pelo menos quatro critérios (sendo no mínimo um clínico e um laboratorial) ou a comprovação de nefrite lúpica por biópsia, na presença de FAN ou Anti-DNA ds positivo. Entre os critérios clínicos, a alopecia não cicatricial foi incluída, refletindo a importância das manifestações cutâneas e mucosas. Os critérios laboratoriais incluem autoanticorpos como FAN, Anti-DNA ds, Anti-Sm, Anti-Ro/La, além de alterações hematológicas e imunológicas. É fundamental para o residente compreender a aplicação desses critérios e a interpretação dos exames laboratoriais. Embora o FAN seja um excelente teste de triagem, sua especificidade é baixa. Autoanticorpos como Anti-DNA ds e Anti-Sm são mais específicos. Marcadores inflamatórios como o VHS são úteis para monitorar a atividade da doença, enquanto o PCR pode não ser tão sensível no LES não complicado, mas se eleva em infecções ou serosites. A dosagem de complemento (C3, C4) também é crucial, pois seus níveis baixos podem indicar atividade da doença, especialmente nefrite lúpica.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais diferenças entre os critérios ACR e SLICC para o diagnóstico de LES?

Os critérios SLICC (2012) são mais sensíveis que os ACR (1997), incluindo mais manifestações clínicas e laboratoriais, como a alopecia não cicatricial e a hemólise autoimune. Os SLICC também permitem o diagnóstico com nefrite lúpica comprovada por biópsia e FAN/Anti-DNA positivo, mesmo sem outros critérios.

Qual a importância do FAN e Anti-DNA ds no diagnóstico do LES?

O FAN (Fator Antinuclear) é um teste de triagem altamente sensível para LES, mas não específico. O Anti-DNA ds (anti-DNA de dupla hélice) é mais específico e sua positividade é um critério laboratorial importante, além de estar associado à atividade da doença, especialmente à nefrite lúpica.

Por que o PCR não é um bom marcador de atividade no LES, ao contrário do VHS?

No LES, o PCR (Proteína C Reativa) geralmente não se eleva de forma tão proeminente quanto em outras doenças inflamatórias, a menos que haja serosite ou infecção concomitante. O VHS (Velocidade de Hemossedimentação) é um marcador mais consistentemente elevado na atividade do LES.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo