Sepse Grave: Reconhecimento e Critérios Diagnósticos Essenciais

UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015

Enunciado

Fabrícia, 22 anos, está no oitavo dia de pós operatório de apendicectomia por apendicite complicada, com mal estado geral, febre (vários picos diários de 39°C), dispneia e dor abdominal. Ao exame físico, apresenta: PAM = 70 mm Hg; FC = 155 batimentos por minuto; temperatura axilar = 38°C, ausculta respiratória e cardíaca normais, abdome difusamente doloroso com descompressão brusca negativa. Diurese de 0,4 ml/Kg/h nas últimas 12 horas. Os exames laboratoriais evidenciaram: Hb = 8g%; leucócitos totais de 25.000/ mm³ com 20% de bastonetes; ureia: 80 mg/dL; creatinina = 2,2 mg/dL; Na = 148 mEq/L; pH=7,31; pO2 = 60 mm Hg; pCO2 = 26 mmHg; BIC = 12 mmol/L; SpO2 = 90%. A paciente apresenta:

Alternativas

  1. A) Síndrome da resposta inflamatória sistêmica
  2. B) Sepse
  3. C) Sepse grave
  4. D) Choque séptico 
  5. E) Disfunção de múltiplos órgãos

Pérola Clínica

Sepse grave = infecção + SIRS + disfunção orgânica (hipotensão, oligúria, acidose, hipoxemia, disfunção renal/hepática).

Resumo-Chave

A paciente apresenta infecção (pós-operatório de apendicite complicada com febre, leucocitose e desvio à esquerda) e critérios de SIRS (febre, taquicardia, taquipneia presumida pela dispneia). Além disso, há disfunção orgânica evidente: hipotensão (PAM 70), oligúria (0,4 ml/Kg/h), insuficiência renal (ureia/creatinina elevadas), acidose metabólica (pH 7,31, BIC 12) e hipoxemia (pO2 60, SpO2 90%). Isso configura sepse grave.

Contexto Educacional

A sepse é uma síndrome clínica complexa e potencialmente fatal, caracterizada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção, resultando em disfunção orgânica. É uma das principais causas de morbimortalidade em unidades de terapia intensiva e um desafio diagnóstico e terapêutico global. O reconhecimento precoce e o manejo agressivo são cruciais para melhorar os desfechos. A fisiopatologia da sepse envolve uma resposta inflamatória e anti-inflamatória desequilibrada, levando a danos teciduais e disfunção orgânica. O diagnóstico de sepse requer a presença de infecção suspeita ou confirmada e critérios de SIRS. A sepse grave é diagnosticada quando há, além da sepse, evidência de disfunção orgânica (ex: hipotensão, hipoxemia, oligúria, acidose metabólica, disfunção renal, hepática ou neurológica). O tratamento da sepse grave e choque séptico é uma emergência médica que exige ressuscitação volêmica agressiva, antibioticoterapia de amplo espectro precoce, controle do foco infeccioso e suporte de órgãos. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e início do tratamento, sendo a mortalidade elevada, especialmente em casos de choque séptico. A detecção de disfunções orgânicas é fundamental para classificar a gravidade e guiar a terapêutica.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para definir Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica (SIRS)?

SIRS é definida pela presença de dois ou mais dos seguintes critérios: temperatura >38°C ou <36°C; frequência cardíaca >90 bpm; frequência respiratória >20 ipm ou PaCO2 <32 mmHg; leucócitos >12.000/mm³ ou <4.000/mm³ ou >10% de bastonetes.

Qual a diferença entre sepse, sepse grave e choque séptico?

Sepse é a presença de infecção mais SIRS. Sepse grave é sepse associada à disfunção orgânica, hipoperfusão ou hipotensão. Choque séptico é sepse grave com hipotensão persistente, apesar da reposição volêmica adequada, ou necessidade de vasopressores para manter a pressão arterial média.

Quais disfunções orgânicas podem ocorrer na sepse grave?

As disfunções orgânicas na sepse grave incluem hipotensão, oligúria/insuficiência renal aguda, hipoxemia/insuficiência respiratória, acidose metabólica, disfunção hepática, coagulopatia, trombocitopenia e alteração do nível de consciência.

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