SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2026
Paciente de 8 meses, estava na sala de casa, utilizando um andador. Mãe estava ao lado do paciente e relata que a criança "tropeçou" em um desnível do solo e caiu, com trauma em região frontal. Relata choro intenso após o trauma. Nega vômito, perda de consciência e convulsão. Cerca de 30 minutos após o acidente, foi admitido no Pronto Atendimento Pediátrico. Ao exame: Paciente em BEG, Escala de Coma de Glasgow 15, pupilas isofotorreagentes, sem crepitação em ossos de crânio. Presença de hematoma subgaleal em região frontal. Qual seria a conduta mais acertada diante do caso, tendo como base o estudo de PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network)?
Lactente < 2 anos + GCS 15 + hematoma frontal isolado + trauma leve → Observação clínica (PECARN).
O algoritmo PECARN estratifica o risco de lesão intracraniana clinicamente importante (LICI). Em menores de 2 anos com GCS 15 e apenas hematoma frontal, o risco é muito baixo, permitindo observação.
O estudo PECARN (Pediatric Emergency Care Applied Research Network) é a principal evidência para o manejo do TCE leve em pediatria, visando identificar crianças com risco extremamente baixo de lesões que necessitem de intervenção cirúrgica ou hospitalização prolongada. Em lactentes (menores de 2 anos), a avaliação é desafiadora devido à limitação da comunicação verbal, tornando o exame físico e a história do mecanismo de trauma cruciais. A decisão entre TC imediata e observação clínica deve considerar a preferência dos pais, a progressão dos sintomas e a presença de múltiplos fatores de risco, sempre buscando o equilíbrio entre o diagnóstico de lesões graves e a proteção radiológica.
Para crianças menores de 2 anos, o baixo risco de lesão intracraniana clinicamente importante (LICI), com risco inferior a 0,02%, é definido pela presença de: Escala de Coma de Glasgow (ECG) de 15, estado mental perfeitamente normal, ausência de hematoma subgaleal (exceto se for puramente frontal), ausência de perda de consciência por mais de 5 segundos, ausência de mecanismo de trauma grave (como queda de altura elevada ou acidente automobilístico) e comportamento normal relatado pelos pais. Nesses casos, a realização de tomografia de crânio não é recomendada devido ao risco de radiação superar o benefício diagnóstico, priorizando-se a alta com orientações claras ou observação clínica mínima.
No algoritmo PECARN para menores de 2 anos, a localização do hematoma subgaleal é um preditor crucial de risco. Hematomas localizados nas regiões parietal, temporal ou occipital são considerados fatores de risco intermediário para lesão intracraniana, com uma taxa de LICI em torno de 0,9%. Por outro lado, hematomas frontais isolados, como o apresentado no caso clínico, possuem um risco significativamente menor, assemelhando-se ao risco de crianças sem hematoma algum. Portanto, a presença de um hematoma frontal em um lactente com Glasgow 15 e sem outros sinais de alerta permite uma conduta conservadora de observação clínica em vez de imagem imediata.
A observação clínica por um período de 2 a 6 horas é uma estratégia preferível em pacientes que apresentam fatores de risco intermediário (como hematoma frontal isolado, perda de consciência breve ou mecanismo de trauma moderado), desde que o médico tenha experiência na avaliação pediátrica, os pais estejam de acordo e o quadro clínico permaneça estável. O objetivo primordial dessa abordagem é reduzir a exposição desnecessária à radiação ionizante da tomografia computadorizada, que em crianças pequenas está associada a um risco aumentado de desenvolvimento de neoplasias futuras. Se durante a observação houver deterioração do nível de consciência ou surgimento de novos sintomas, a TC deve ser realizada prontamente.
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