MedEvo Simulado — Prova 2026
Uma mulher de 39 anos, G3P3 (partos vaginais), comparece à consulta de rotina ginecológica solicitando o início de um método contraceptivo eficaz. Relata ser tabagista de cerca de 20 cigarros por dia há 15 anos. Nega antecedentes de hipertensão arterial, diabetes mellitus, enxaqueca ou eventos tromboembólicos prévios. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com índice de massa corporal (IMC) de 27 kg/m² e pressão arterial de 128/82 mmHg. A paciente manifesta interesse específico pelo uso do anel vaginal combinado (etonogestrel + etinilestradiol). Com base nos Critérios Médicos de Elegibilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS), a classificação do método para esta paciente e a orientação adequada são:
Mulher ≥ 35 anos + Tabagista (≥ 15 cigarros/dia) → Categoria 4 para qualquer método combinado.
O uso de estrogênios em mulheres acima de 35 anos que fumam pesadamente aumenta drasticamente o risco de IAM e AVC, sendo contraindicado (Categoria 4).
Os Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS são fundamentais para a prática ginecológica segura. O tabagismo atua sinergicamente com o estrogênio, potencializando o risco de doenças cardiovasculares graves, como o infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral. Para mulheres com 35 anos ou mais, a carga tabágica é o divisor de águas: menos de 15 cigarros/dia classifica os métodos combinados como Categoria 3 (riscos geralmente superam benefícios), enquanto 15 ou mais cigarros/dia eleva para Categoria 4 (risco inaceitável). É crucial notar que a via de administração (oral, adesivo ou anel) não altera essa classificação, pois todas resultam em níveis séricos de estrogênio que afetam a cascata de coagulação e a integridade endotelial. O manejo correto envolve a oferta de métodos de progesterona isolada ou dispositivos intrauterinos.
A Categoria 4 representa uma condição que impõe um risco inaceitável à saúde se o método contraceptivo for utilizado. É uma contraindicação absoluta, onde o risco de complicações graves (como eventos tromboembólicos ou cardiovasculares) supera qualquer benefício contraceptivo.
Embora a via seja vaginal, o anel libera etinilestradiol que atinge a circulação sistêmica. Em mulheres com 35 anos ou mais que fumam 15 ou mais cigarros por dia, a combinação do estrogênio com os efeitos deletérios do tabaco no endotélio eleva o risco de infarto e AVC a níveis proibitivos.
Para esta paciente, métodos de progesterona isolada (como o implante subdérmico, o DIU de levonorgestrel ou a minipílula) ou métodos não hormonais (como o DIU de cobre) são classificados como Categoria 1 ou 2, sendo opções seguras e eficazes.
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