INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2025
Mulher de 38 anos, G2P1A1, comparece à unidade básica de saúde (UBS) para solicitar orientação anticoncepcional. É sedentária, cardiopata em uso de anticoagulante oral devido a trombose venosa que sofreu no último aborto, há 6 meses, e apresenta índice de massa corporal (IMC) de 35 kg/m². Além disso, fuma em média 20 cigarros por dia.\n\nA partir desse caso clínico, elabore um plano terapêutico abordando os itens a seguir. \n\na) Métodos anticoncepcionais. (valor: 6,0 pontos) \n\nb) Outras questões de saúde. (valor: 4,0 pontos)
TVP prévia + Tabagismo (>35 anos) = Contraindicação absoluta (Categoria 4) para estrogênios.
Em pacientes com alto risco tromboembólico (TVP prévia, tabagismo >35 anos, obesidade), métodos combinados com estrogênio são proibidos. A escolha deve recair sobre métodos de progesterona isolada ou dispositivos intrauterinos.
O planejamento reprodutivo em mulheres com comorbidades requer uma análise rigorosa dos Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS. Pacientes com múltiplos fatores de risco (obesidade grau II, tabagismo pesado e histórico de tromboembolismo) apresentam um perfil de segurança restrito. O tabagismo acima dos 35 anos associado ao estrogênio aumenta exponencialmente o risco de Infarto Agudo do Miocárdio e AVC. A abordagem deve ser multidisciplinar, focando na cessação do tabagismo, perda de peso e controle da cardiopatia. Os métodos de longa duração (LARC), como os DIUs, apresentam as menores taxas de falha (índice de Pearl) e não dependem da adesão diária da paciente, sendo ideais para quem possui contraindicações médicas severas a hormônios sistêmicos combinados.
O estrogênio, especialmente por via oral, aumenta a síntese hepática de fatores de coagulação (II, VII, IX, X) e reduz inibidores naturais como a proteína S e a antitrombina. Em pacientes com histórico de Trombose Venosa Profunda (TVP), esse estado pró-coagulante eleva drasticamente o risco de recorrência. Segundo os critérios da OMS, o uso de anticoncepcionais combinados em pacientes com TVP atual ou prévia é classificado como Categoria 4 (risco inaceitável).
Para pacientes com IMC > 35 kg/m² e fumantes acima de 35 anos, os métodos de escolha são os LARCs (Long-Acting Reversible Contraceptives). O DIU de Cobre e o DIU de Levonorgestrel são Categoria 1 ou 2, sendo altamente seguros. Implantes de etonogestrel ou pílulas de progestagênio isolado também são opções viáveis (Categoria 2), pois não possuem o componente estrogênico que potencializa o risco arterial e venoso.
Sim, a anticoagulação exige cautela com métodos que possam causar sangramento uterino excessivo. O DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual, o que pode ser problemático em pacientes anticoaguladas. Nesses casos, o DIU de Levonorgestrel é frequentemente preferido, pois promove atrofia endometrial e reduz o volume do sangramento menstrual, oferecendo um benefício terapêutico adicional além da contracepção.
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