Febre Reumática: Critérios de Jones e Diagnóstico

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

A febre reumática é uma complicação tardia e não supurativa da faringite estreptocócica e, no Brasil, é a principal causa de cardiopatia adquirida em pacientes jovens. Seu diagnóstico é baseado nos critérios de Jones modificados e atualizados. As alterações que podem ser consideradas critérios maiores em regiões de alto risco para a doença são

Alternativas

  1. A) endocardite, poliartrite e ASLO positivo.
  2. B) pericardite isolada, artrite, nódulos subcutâneos.
  3. C) pancardite, poliartralgia, corea de Sydenham.
  4. D) monoartrite, ASLO positivo, eritema marginado.
  5. E) corea de Sydenham, elevação de PCR e VHS, febre.

Pérola Clínica

Febre Reumática: Critérios Maiores (alto risco) = Cardite (pancardite), Poliartrite/Poliartralgia, Corea de Sydenham, Nódulos Subcutâneos, Eritema Marginado.

Resumo-Chave

A febre reumática é uma complicação da faringite estreptocócica, diagnosticada pelos critérios de Jones modificados. Em regiões de alto risco, como o Brasil, a poliartralgia pode ser considerada um critério maior, assim como a pancardite (uma forma de cardite) e a corea de Sydenham. ASLO positivo, elevação de PCR/VHS e febre são critérios menores ou evidência de infecção prévia, não critérios maiores em si.

Contexto Educacional

A febre reumática (FR) é uma doença inflamatória sistêmica, não supurativa, que se desenvolve como uma complicação tardia de uma infecção de orofaringe pelo Streptococcus pyogenes (Estreptococo beta-hemolítico do grupo A). No Brasil, é a principal causa de cardiopatia adquirida em crianças e jovens, resultando em valvopatias reumáticas crônicas que representam um grave problema de saúde pública. A fisiopatologia da FR envolve uma resposta autoimune desencadeada por mimetismo molecular entre antígenos estreptocócicos e tecidos do hospedeiro, afetando principalmente o coração, articulações, sistema nervoso central e pele. O diagnóstico é baseado nos critérios de Jones modificados e atualizados, que exigem a presença de dois critérios maiores ou um critério maior e dois menores, além de evidência de infecção estreptocócica prévia. A evidência de infecção pode ser um teste rápido de antígeno positivo, cultura de orofaringe positiva ou elevação de títulos de anticorpos antiestreptocócicos (ASLO ou anti-DNase B). Os critérios maiores incluem cardite (que pode ser pancardite, endocardite, miocardite ou pericardite), poliartrite (ou monoartrite/poliartralgia em populações de alto risco), corea de Sydenham, nódulos subcutâneos e eritema marginado. Os critérios menores são febre, artralgia (se não for critério maior), elevação de VHS ou PCR e prolongamento do intervalo PR no ECG. O tratamento da FR visa erradicar o estreptococo, controlar a inflamação e prevenir recorrências com profilaxia secundária prolongada, fundamental para evitar a progressão da doença cardíaca reumática.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores para o diagnóstico da febre reumática?

Os critérios maiores de Jones incluem cardite (pancardite, miocardite, endocardite, pericardite), poliartrite (ou monoartrite/poliartralgia em populações de alto risco), corea de Sydenham, nódulos subcutâneos e eritema marginado. É necessário ter evidência de infecção estreptocócica prévia para o diagnóstico.

Qual a importância da pancardite na febre reumática?

A pancardite é a inflamação de todas as camadas do coração (endocárdio, miocárdio e pericárdio) e representa a manifestação mais grave da cardite reumática, sendo um critério maior de Jones. É a principal causa de sequelas cardíacas permanentes na febre reumática.

Como a corea de Sydenham se manifesta na febre reumática?

A corea de Sydenham é uma manifestação neurológica tardia da febre reumática, caracterizada por movimentos involuntários, rápidos e sem propósito, principalmente na face e extremidades. Pode ser acompanhada por labilidade emocional e fraqueza muscular, sendo um critério maior de Jones.

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