Pneumonia Pediátrica: Critérios de Internação e Manejo

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Menino, 3 anos, previamente, hígido, sem antecedente de prematuridade, vem trazido por sua mãe que procura o serviço de saúde com histórico de febre de 39°C e tosse persistente há 24 horas. Ao exame físico encontra-se em regular estado geral, ativo, hidratado, com temperatura de 39°C, frequência respiratória 28 rpm, sem tiragem nem sibilos, porém com discretos estertores crepitantes na base do hemitórax esquerdo; SatO₂ 97%. O médico deve indicar:

Alternativas

  1. A) Realização de radiografia de tórax de frente, perfil e deitado para definir se há indicação de internação.
  2. B) Internação por causa da febre persistente e do restante do exame físico, iniciando-se antibioticoterapia empírica.
  3. C) Internação com prescrição de ceftriaxone intravenoso, realização de radiografia de tórax de frente e perfil, suporte de oxigênio.
  4. D) Como o paciente não apresenta dispneia, nem alteração de frequência respiratória, com boa saturação de oxigênio, não há indicação de internação.

Pérola Clínica

Criança com pneumonia sem dispneia, taquipneia ou hipoxemia → manejo ambulatorial seguro.

Resumo-Chave

A decisão de internação para pneumonia em crianças baseia-se principalmente na presença de sinais de gravidade, como dispneia, taquipneia para a idade, tiragem, gemência, cianose ou hipoxemia. A febre e a presença de estertores crepitantes, isoladamente, não são critérios para internação em um paciente ativo e com boa saturação de oxigênio.

Contexto Educacional

A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico na prática pediátrica. A avaliação inicial visa identificar sinais de gravidade que justifiquem a internação hospitalar, diferenciando casos leves que podem ser tratados ambulatorialmente. A epidemiologia mostra que a maioria dos casos é viral, mas a etiologia bacteriana, principalmente por Streptococcus pneumoniae, é uma preocupação devido à sua potencial gravidade. A suspeita diagnóstica de PAC baseia-se na presença de febre, tosse e sinais de desconforto respiratório. O exame físico deve focar na avaliação da frequência respiratória, presença de tiragens, batimento de asa de nariz, gemência e ausculta pulmonar. A oximetria de pulso é fundamental para avaliar a saturação de oxigênio. A ausência de dispneia, taquipneia e hipoxemia, em uma criança com bom estado geral e ativa, sugere um quadro leve que não demanda internação imediata. O tratamento ambulatorial da PAC bacteriana em crianças geralmente envolve antibioticoterapia oral, como amoxicilina. A internação é reservada para pacientes com sinais de gravidade, como hipoxemia, desidratação, incapacidade de ingerir líquidos, falha terapêutica ambulatorial ou complicações. O prognóstico é geralmente bom com o manejo adequado, mas a identificação precoce dos casos graves é crucial para evitar desfechos desfavoráveis.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de gravidade que indicam internação em crianças com pneumonia?

Os principais sinais de gravidade incluem taquipneia para a idade, tiragem subcostal ou intercostal, batimento de asa de nariz, gemência, cianose, hipoxemia (SatO₂ < 92-94%), recusa alimentar, letargia ou alteração do nível de consciência. A presença de qualquer um desses sinais sugere a necessidade de internação.

Como a frequência respiratória é avaliada em crianças para identificar taquipneia?

A taquipneia é definida pela frequência respiratória (FR) acima dos limites normais para a idade: > 60 ipm para < 2 meses; > 50 ipm para 2-11 meses; > 40 ipm para 1-5 anos; e > 30 ipm para > 5 anos. É um dos indicadores mais sensíveis de doença respiratória grave em crianças.

Quando a radiografia de tórax é indicada em casos de suspeita de pneumonia pediátrica?

A radiografia de tórax não é rotineiramente indicada para todos os casos de pneumonia leve a moderada em crianças, especialmente se o manejo ambulatorial for planejado. É mais útil em casos de apresentação atípica, falha terapêutica, suspeita de complicações (derrame pleural, abscesso) ou para diferenciar de outras condições.

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