UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025
Homem de 50 anos com neoplasia de esôfago refere que está com dificuldade de deglutição há 2 meses e, por isso, opta por alimentos pastosos, sendo metade do que costumava comer anteriormente. Seu peso habitual era de 120 kg (IMC = 39 kg/ m²) e, atualmente, é de 90 kg (IMC = 29,4 kg/ m²).Segundo os critérios do Global Leadership Initiative in Malnutrition (GLIM), o paciente apresenta
Perda de peso >10% em 6 meses + IMC <20 + doença inflamatória crônica (câncer) = desnutrição grave (GLIM).
Os critérios GLIM para diagnóstico de desnutrição combinam critérios fenotípicos (perda de peso, baixo IMC, massa muscular reduzida) e etiológicos (inflamação, doença crônica, ingestão reduzida). Uma perda de peso significativa (>10% em 6 meses ou >5% em 3 meses) associada a um baixo IMC e uma condição inflamatória como o câncer, indica desnutrição grave.
A desnutrição é uma complicação frequente e grave em pacientes com câncer, especialmente aqueles com tumores do trato gastrointestinal superior, como a neoplasia de esôfago. A disfagia, sintoma comum nesses casos, limita severamente a ingestão alimentar, contribuindo para uma perda de peso significativa. A avaliação nutricional é crucial para o manejo desses pacientes, e os critérios do Global Leadership Initiative in Malnutrition (GLIM) oferecem uma abordagem padronizada para o diagnóstico. Os critérios GLIM exigem a presença de pelo menos um critério fenotípico e um critério etiológico. No caso apresentado, o paciente tem uma perda de peso de 25% (30 kg em relação a 120 kg), o que é um critério fenotípico de desnutrição grave. Embora seu IMC atual (29,4 kg/m²) ainda esteja na faixa de sobrepeso, a perda de peso substancial e a presença de uma doença inflamatória crônica (neoplasia) com ingestão alimentar reduzida (disfagia) preenchem os critérios para desnutrição. É fundamental que o residente compreenda que o IMC isolado pode ser enganoso em pacientes com histórico de obesidade e perda de peso rápida. A desnutrição em pacientes oncológicos está associada a pior prognóstico, maior toxicidade ao tratamento e redução da qualidade de vida, ressaltando a importância do diagnóstico precoce e da intervenção nutricional adequada.
Os critérios fenotípicos incluem perda de peso não intencional (>5% em 6 meses ou >10% em >6 meses), baixo IMC (<20 kg/m² se <70 anos ou <22 kg/m² se >70 anos) e massa muscular reduzida (avaliada por métodos como DEXA ou bioimpedância).
Os critérios etiológicos são ingestão alimentar reduzida ou assimilação prejudicada (ex: disfagia, má absorção) e inflamação ou carga de doença (ex: câncer, infecção grave, trauma).
A neoplasia de esôfago causa desnutrição principalmente pela disfagia, que leva à redução da ingestão alimentar, e pela própria doença, que gera um estado inflamatório crônico e aumento do catabolismo.
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