UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2022
Paciente de 38 anos procura atendimento para orientação em relação ao uso de anticoncepcionais orais combinados. História médica pregressa sem qualquer alteração, mas refere ser fumante, consumindo uma média de 20 cigarros por dia. Apresenta níveis na medida da pressão arterial, durante a consulta, de 140/90. Exame físico geral e ginecológico sem alterações. Traz exames de laboratório compatíveis com dislipidemia: CT: 260mg/dL, e LDL: 140mg/dL. A orientação médica é contraindicar o uso de contraceptivos hormonais orais combinados pelos critérios de elegibilidade da OMS, primariamente devido à:
Tabagismo >15 cigarros/dia em mulheres >35 anos é contraindicação absoluta (Categoria 4 OMS) para AOC.
A combinação de idade avançada (>35 anos) e tabagismo pesado (>15 cigarros/dia) aumenta exponencialmente o risco de eventos cardiovasculares (infarto, AVC) com o uso de anticoncepcionais orais combinados, tornando-os contraindicados pelos critérios da OMS.
A escolha do método contraceptivo ideal deve ser individualizada, considerando o perfil de saúde da paciente e os riscos associados a cada método. Os Critérios de Elegibilidade Médica para o Uso de Contraceptivos da Organização Mundial da Saúde (OMS) são uma ferramenta fundamental para guiar essa decisão, classificando as condições médicas em categorias de risco para cada método. No caso dos anticoncepcionais orais combinados (AOC), a presença de estrogênio confere um risco aumentado de eventos tromboembólicos e cardiovasculares em pacientes com certos fatores de risco. A paciente do enunciado, com 38 anos e tabagismo de 20 cigarros/dia, se enquadra na Categoria 4 da OMS para AOC, que significa 'condição que representa um risco de saúde inaceitável se o método contraceptivo for usado'. Embora a hipertensão (140/90 mmHg) e a dislipidemia também sejam fatores de risco, a combinação de idade >35 anos e tabagismo pesado é a contraindicação primária e mais grave. É crucial que residentes e profissionais de saúde saibam aplicar os critérios da OMS para garantir a segurança das pacientes. A identificação de contraindicações absolutas para AOC é vital para prevenir complicações graves e oferecer alternativas contraceptivas seguras e eficazes, como métodos apenas com progestagênio ou métodos não hormonais.
Os critérios da OMS classificam as condições médicas em quatro categorias (1 a 4) para o uso de métodos contraceptivos, indicando se o método pode ser usado sem restrições (1), com cautela (2), geralmente não recomendado (3) ou contraindicado (4).
O tabagismo, especialmente em mulheres com mais de 35 anos e fumantes pesadas, aumenta significativamente o risco de eventos tromboembólicos e cardiovasculares (infarto do miocárdio, AVC) associados ao uso de estrogênio presente nos AOC, tornando-o um fator de risco crítico.
Para mulheres com contraindicações a AOC, métodos sem estrogênio são recomendados, como métodos de barreira, DIU de cobre, DIU hormonal (levonorgestrel), implantes de progestagênio ou pílulas de progestagênio isolado, que oferecem segurança e eficácia.
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