Contracepção e Rifampicina: Critérios de Elegibilidade OMS

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

De acordo com os critérios de elegibilidade da OMS (2015), o uso de métodos contraceptivos injetáveis mensais NÃO deve ser indicado em mulheres que fazem uso de:

Alternativas

  1. A) Rifampicina.
  2. B) Lamotrigina.
  3. C) Cetoconazol.
  4. D) Zidovudina.

Pérola Clínica

Rifampicina/Rifabutina + Contraceptivos Hormonais = Categoria 3 (Risco > Benefício) por ↓ eficácia.

Resumo-Chave

A rifampicina induz o metabolismo hepático dos esteroides sexuais, reduzindo drasticamente os níveis séricos de anticoncepcionais e aumentando o risco de falha.

Contexto Educacional

Os Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS visam garantir a segurança na prescrição de métodos anticoncepcionais, considerando condições clínicas e interações medicamentosas. A interação entre Rifampicina e anticoncepcionais hormonais combinados (AHC) é uma das mais clinicamente relevantes na prática médica, especialmente em países com alta prevalência de tuberculose. Diferente de outros antibióticos que possuem apenas evidências anedóticas de interação, a Rifampicina e a Rifabutina possuem mecanismos farmacocinéticos comprovados de redução de eficácia. Outros fármacos que também exigem cautela (Categoria 3) incluem certos anticonvulsivantes indutores enzimáticos (fenitoína, carbamazepina, fenobarbital). Já medicamentos como a Lamotrigina possuem uma interação inversa: o anticoncepcional reduz os níveis da Lamotrigina, podendo descontrolar crises convulsivas.

Perguntas Frequentes

Por que a Rifampicina interfere nos anticoncepcionais hormonais?

A Rifampicina é um potente indutor das enzimas do sistema citocromo P450 no fígado (especialmente a isoenzima CYP3A4). Essa indução acelera o metabolismo oxidativo do etinilestradiol e dos progestogênios presentes nos contraceptivos. Como resultado, as concentrações plasmáticas desses hormônios caem abaixo do nível terapêutico necessário para inibir a ovulação, resultando em falha do método e gravidez indesejada.

Quais são as categorias de elegibilidade da OMS para contracepção?

A OMS classifica o uso de métodos em 4 categorias: 1 (sem restrição), 2 (benefícios superam riscos), 3 (riscos superam benefícios - uso não recomendado a menos que não haja alternativa) e 4 (risco inaceitável - contraindicação absoluta). O uso de Rifampicina com contraceptivos hormonais combinados (orais, injetáveis mensais, anel ou adesivo) é classificado como Categoria 3.

Quais métodos são seguros para mulheres em uso de Rifampicina?

Para mulheres em tratamento com Rifampicina (como no tratamento da tuberculose ou hanseníase), os métodos de escolha são os não hormonais, como o DIU de Cobre (Categoria 1). O DIU de Levonorgestrel também é uma opção segura (Categoria 2). Métodos de barreira devem ser sempre incentivados como proteção adicional, mas não devem ser a única estratégia devido às taxas de falha típicas.

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