UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Mulher, 40 anos de idade, nuligesta, iniciou vida sexual recentemente e gostaria de método contraceptivo. Refere enxaqueca sem aura e convulsões há 5 anos e faz uso de topiramato diariamente. Qual dos métodos contraceptivos indicados é considerado categoria 3, para a paciente em questão, segundo a Classificação da OMS?
Topiramato (EIAED) + Contraceptivos hormonais (exceto DIU-LNG) = Categoria 3 OMS (eficácia ↓).
O topiramato é um anticonvulsivante indutor enzimático que pode reduzir a eficácia de contraceptivos hormonais, tornando-os Categoria 3 ou 4 pela OMS. Métodos como pílulas combinadas, pílulas de progestagênio isolado (como desogestrel), injetáveis e implantes são afetados, enquanto o DIU de levonorgestrel, por sua ação local, mantém alta eficácia (Categoria 1).
A escolha do método contraceptivo para mulheres com comorbidades, como epilepsia e enxaqueca, exige uma avaliação cuidadosa baseada nos Critérios de Elegibilidade Médica para o Uso de Contraceptivos da Organização Mundial da Saúde (OMS). Esses critérios classificam os métodos de 1 a 4, indicando a segurança e adequação em diferentes condições clínicas. A interação medicamentosa é um fator crítico, especialmente com anticonvulsivantes indutores enzimáticos. O topiramato é um anticonvulsivante que atua como indutor enzimático hepático, o que significa que ele pode acelerar o metabolismo de outros medicamentos, incluindo os hormônios presentes nos contraceptivos. Essa indução enzimática pode levar à redução da concentração plasmática dos hormônios contraceptivos, diminuindo sua eficácia e aumentando o risco de falha do método. Por essa razão, a maioria dos contraceptivos hormonais (pílulas combinadas, pílulas de progestagênio isolado, injetáveis e implantes) é classificada como Categoria 3 ou 4 pela OMS para mulheres em uso de topiramato. Em contraste, o DIU de levonorgestrel (DIU-LNG) é uma excelente opção para essas pacientes, sendo classificado como Categoria 1. Sua eficácia é primariamente local e não é significativamente comprometida pela indução enzimática. Para residentes, é fundamental dominar essas interações e os critérios da OMS para garantir uma contracepção segura e eficaz, evitando gestações indesejadas e minimizando riscos à saúde da paciente.
Para mulheres em uso de topiramato (um anticonvulsivante indutor enzimático), os contraceptivos hormonais combinados (pílulas, anel, adesivo), pílulas de progestagênio isolado (como desogestrel), injetáveis (DMPA) e implantes (etonogestrel) são geralmente Categoria 3 ou 4 devido à redução da eficácia contraceptiva.
O DIU de levonorgestrel é considerado Categoria 1 pela OMS para pacientes em uso de anticonvulsivantes indutores enzimáticos, pois sua ação é predominantemente local no útero, e sua eficácia não é significativamente afetada pela indução enzimática hepática causada por esses medicamentos.
A enxaqueca sem aura é geralmente uma Categoria 2 para contraceptivos hormonais combinados e Categoria 1 para métodos apenas com progestagênio ou não hormonais. No entanto, a presença de anticonvulsivantes indutores enzimáticos (como o topiramato) é um fator mais limitante e eleva a categoria de risco para muitos métodos hormonais.
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