Endocardite Infecciosa: Diagnóstico e Manejo Urgente

SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2022

Enunciado

Homem de 46 anos com diagnóstico recente de diabetes ainda sem tratamento, procura atendimento por quadro de dor abdominal de 15 dias de evolução. Na tomografia computadorizada de abdome são encontradas lesões compatíveis com infarto esplênico. Além disso, apresenta 17.200 leucócitos no hemograma. Diante desses resultados, o médico solicita um ecocardiograma transtorácico que evidencia imagem sugestiva de vegetação em válvula mitral. Sobre o manejo desse paciente assinale a alternativa mais adequada:

Alternativas

  1. A) Endocardite infecciosa provável / iniciar antibióticos após coleta das hemoculturas.
  2. B) Endocardite infecciosa definida / iniciar antibióticos após o resultado das hemoculturas.
  3. C) Endocardite infecciosa provável / proceder a realização de ecocardiograma transesofágico.
  4. D) Endocardite infecciosa definida / iniciar antibióticos após coleta das hemoculturas.
  5. E) Endocardite infecciosa provável / iniciar antibióticos após o resultado das hemoculturas.

Pérola Clínica

Vegetação valvar + fenômeno vascular (infarto esplênico) = Endocardite Provável. Coletar hemoculturas e iniciar ATB empírico.

Resumo-Chave

O paciente apresenta um critério maior (vegetação em válvula mitral no ecocardiograma transtorácico) e um critério menor (infarto esplênico, um fenômeno vascular) para Endocardite Infecciosa pelos Critérios de Duke modificados, classificando-a como provável. A conduta imediata é coletar hemoculturas e iniciar antibioticoterapia empírica, mesmo antes do resultado das culturas ou de um ecocardiograma transesofágico (ETE) confirmatório.

Contexto Educacional

A Endocardite Infecciosa (EI) é uma infecção grave do endocárdio, geralmente envolvendo as válvulas cardíacas, com alta morbimortalidade se não diagnosticada e tratada precocemente. Sua epidemiologia tem mudado, com maior incidência em idosos, usuários de drogas intravenosas e pacientes com dispositivos cardíacos. O diagnóstico é um desafio clínico, exigindo alta suspeição e a aplicação dos Critérios de Duke modificados. A fisiopatologia envolve a formação de vegetações sépticas nas válvulas, que podem embolizar para diversos órgãos, causando fenômenos vasculares como infartos esplênicos, renais ou cerebrais. A presença de febre, sopro cardíaco novo, e achados como vegetações no ecocardiograma são cruciais. O ecocardiograma transtorácico (ETT) é a ferramenta inicial, mas o ecocardiograma transesofágico (ETE) oferece maior sensibilidade e especificidade para a detecção de vegetações e complicações. O manejo da EI é uma emergência médica. Uma vez suspeita, a coleta de múltiplas hemoculturas (geralmente três pares de sítios diferentes) é imperativa antes do início da antibioticoterapia empírica, que deve ser de amplo espectro e cobrir os patógenos mais prováveis. O tratamento prolongado com antibióticos intravenosos é a base, e a cirurgia cardíaca pode ser necessária em casos de insuficiência cardíaca, embolia recorrente, infecção não controlada ou vegetações grandes. O acompanhamento é essencial para monitorar a resposta ao tratamento e prevenir recorrências.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de Duke para o diagnóstico de Endocardite Infecciosa?

Os Critérios de Duke modificados incluem critérios maiores (hemoculturas positivas para microrganismos típicos, evidência de envolvimento endocárdico por ecocardiograma) e critérios menores (predisposição, febre, fenômenos vasculares, fenômenos imunológicos, evidência microbiológica). O diagnóstico de endocardite definida requer 2 maiores, ou 1 maior e 3 menores, ou 5 menores.

Qual a importância do infarto esplênico no contexto da Endocardite Infecciosa?

O infarto esplênico é considerado um fenômeno vascular, que é um critério menor nos Critérios de Duke. Ele indica embolização séptica a partir da vegetação valvar, sendo um achado importante que aumenta a probabilidade diagnóstica de endocardite infecciosa.

Quando o ecocardiograma transesofágico (ETE) é indicado na suspeita de Endocardite Infecciosa?

O ETE é mais sensível que o ecocardiograma transtorácico (ETT) para detectar vegetações e complicações. É indicado quando o ETT é inconclusivo, em pacientes com próteses valvares, na alta suspeita clínica apesar de ETT negativo, ou para avaliar complicações como abscessos e fístulas.

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