UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019
Paciente masculino, 32 anos, portador de diabetes mellitus tipo 1 descoberta há 20 anos, valvulopatia reumática e dupla troca de valvas tricúspide e mitral por valvas biológicas há 6 anos, foi internado em Unidade de Terapia Intensiva há 3 semanas devido grave quadro de cetoacidose diabética descompensada por sepse com foco a esclarecer. Foi intubado e adaptado ao respirador mecânico devido insuficiência respiratória aguda e iniciou medidas adequadas com ressuscitação volêmica, controle glicêmico rigoroso e insulinoterapia e emprego de antibioticoterapia empírica com ceftriaxona após coletas de culturas (hemoculturas e urinocultura). Houve mudança estrutural no laboratório e perderam as amostras de hemoculturas desse paciente e não houve crescimento microbiano nas amostrar de urinocultura. Paciente mantendo há 3 dias quadro de febre superior a 37,8ºC e aparecimento de nodulações em subcutâneo e lesões características de vasculite séptica em planta dos pés e palma das mãos. Diante da forte suspeita pela equipe médica do diagnóstico de endocardite infecciosa e de acordo com os Critérios de Duke, assinale a afirmativa CORRETA.
EI: Sopro novo regurgitativo + vegetação em valva protética (ETE) = Critérios Maiores de Duke.
Os Critérios de Duke são fundamentais para o diagnóstico de Endocardite Infecciosa. Um sopro cardíaco novo regurgitativo é um critério maior clínico, e a evidência de vegetação em valva protética no ecocardiograma transesofágico (que tem maior acurácia para valvas protéticas) é um critério maior ecocardiográfico, ambos essenciais para o diagnóstico definitivo.
A Endocardite Infecciosa (EI) é uma condição grave, especialmente em pacientes com fatores de risco como valvas protéticas e diabetes. O diagnóstico é desafiador e baseia-se nos Critérios de Duke modificados, que combinam achados microbiológicos, ecocardiográficos e clínicos. Os critérios maiores de Duke incluem hemoculturas positivas para microrganismos típicos de EI e evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma (vegetação, abscesso, deiscência de prótese). Os critérios menores abrangem febre, fenômenos vasculares (êmbolos arteriais, infartos pulmonares sépticos, aneurisma micótico, hemorragia conjuntival, lesões de Janeway), fenômenos imunológicos (glomerulonefrite, nódulos de Osler, manchas de Roth, fator reumatoide) e fatores predisponentes. No caso de valvas protéticas, o ecocardiograma transesofágico (ETE) é superior ao transtorácico (ETT) devido à melhor resolução e menor interferência de estruturas adjacentes, sendo crucial para detectar vegetações ou outras alterações. Um sopro novo regurgitativo é um achado clínico importante e pode ser considerado um critério maior se associado a evidência ecocardiográfica de EI. A presença de um sopro novo regurgitativo e vegetação em valva protética no ETE preenche os critérios maiores e estabelece o diagnóstico.
Os critérios maiores de Duke incluem hemoculturas positivas para microrganismos típicos de EI e evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma, como vegetação, abscesso, pseudoaneurisma, fístula intracardíaca ou deiscência de prótese valvar.
O ecocardiograma transesofágico (ETE) oferece maior resolução e acurácia para visualizar valvas protéticas e estruturas adjacentes, pois minimiza a interferência de costelas e pulmões, sendo superior ao transtorácico (ETT) na detecção de vegetações e complicações em próteses.
Fenômenos vasculares associados à EI incluem êmbolos arteriais maiores, infartos pulmonares sépticos, aneurismas micóticos, hemorragias conjuntivais e lesões de Janeway (máculas eritematosas indolores em palmas e plantas).
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