SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2020
Um paciente foi submetido a cirurgia cardíaca de troca valvar mitral há seis meses (implante de bioprótese). Procurou atendimento por mal-estar geral, febre alta (40 ºC) e calafrios associados a sudorese há quatro dias, além de sopro com frêmito na ausculta cardiovascular. Os exames neurológicos, respiratório e gastrointestinais eram normais, os sinais vitais estavam estáveis. Realizou um ecocardiograma que evidenciou vegetação de 1,5 cm associada à deiscência de prótese mitral. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatados, julgue o item a seguir. O paciente possui endocardite infecciosa, pois há febre com temperatura maior que 38,3 ºC e aneurisma micótico da prótese, que são critérios maiores de Duke modificados.
Febre e fenômenos vasculares (aneurisma micótico) = Critérios MENORES de Duke.
O diagnóstico de endocardite exige 2 critérios maiores, 1 maior + 3 menores, ou 5 menores; febre e aneurisma micótico pontuam apenas como critérios menores.
O diagnóstico de Endocardite Infecciosa (EI) é desafiador e baseia-se nos Critérios de Duke Modificados, que combinam achados clínicos, microbiológicos e de imagem. A presença de vegetação ou deiscência de prótese ao ecocardiograma é um critério maior clássico. No entanto, a questão testa a precisão da classificação: a febre (≥ 38°C) e o aneurisma micótico (fenômeno vascular) são critérios menores. Para fechar o diagnóstico 'definitivo', o clínico precisa de 2 critérios maiores, ou 1 maior e 3 menores, ou 5 menores. O reconhecimento precoce de complicações como a deiscência de prótese é vital, pois frequentemente indica a necessidade de intervenção cirúrgica de urgência.
Os critérios maiores incluem: 1) Hemoculturas positivas para microrganismos típicos (em duas amostras separadas) ou persistentes; 2) Evidência de envolvimento endocárdico no ecocardiograma (vegetação, abscesso, nova deiscência de prótese) ou nova regurgitação valvar; e 3) Sorologia positiva para Coxiella burnetii.
A febre, definida como temperatura ≥ 38,0 °C, é classificada estritamente como um critério menor de Duke. Independentemente da intensidade da febre (mesmo que seja 40 °C com calafrios), ela não migra para a categoria de critério maior, servindo apenas como suporte clínico para o diagnóstico.
Fenômenos vasculares são critérios menores de Duke e incluem embolia arterial sistêmica, infartos pulmonares sépticos, aneurismas micóticos, hemorragia intracraniana, hemorragias conjuntivais e lesões de Janeway. Eles representam a disseminação séptica ou complicações estruturais dos vasos decorrentes do processo infeccioso valvar.
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