Diagnóstico de Epilepsia em Crianças: Critérios Essenciais

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2026

Enunciado

Paciente do sexo masculino. 4 anos de idade, previamente higido, e trazido ao pronto socorro apos um episódio de crise tônico clônica generalizada, sem febre, que durou 3 minutos e se resolveu espontaneamente. O exame neurológico realizado após a crise não revelou anomalides. Não há histórico familiar de convulsões ou epilepsia. Com relação ao quadro clinico descrito acima, assinale a alternativa CORRETA que apresenta o diagnóstico para esse caso.

Alternativas

  1. A) O paciente tem um diagnóstico de epilepsia, pois qualquer crise nao provocada em uma criança constitui epilepsia.
  2. B) O paciente tem uma crise sintomática aguda e o diagnóstico de epilepsia só pode ser considerado após um exame de imagem anormal.
  3. C) O paciente não pode ser diagnosticado com epilepsia no momento, pois o diagnóstico requer a ocorrência de no mínimo duas crises não provocadas.
  4. D) O paciente não tem epilepsia, pois a crise foi breve e não causou déficits neurológicos permanentes, sendo um evento isolado sem significado clínico.

Pérola Clínica

Diagnóstico epilepsia → Mínimo 2 crises não provocadas ou 1 crise + alto risco de recorrência.

Resumo-Chave

O diagnóstico de epilepsia requer a ocorrência de pelo menos duas crises não provocadas com mais de 24 horas de intervalo, ou uma crise não provocada com alto risco de recorrência, como evidência de lesão cerebral ou padrão epileptiforme no EEG.

Contexto Educacional

A questão aborda um cenário clínico comum na neurologia pediátrica: a primeira crise epiléptica não provocada em uma criança. É crucial para o residente compreender que uma única crise não provocada, mesmo que tônico-clônica generalizada e sem febre, não é suficiente para o diagnóstico de epilepsia. A definição atual de epilepsia, conforme a Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE), exige a ocorrência de pelo menos duas crises não provocadas com mais de 24 horas de intervalo, ou uma crise não provocada com um alto risco de recorrência (superior a 60%) nos próximos 10 anos, como evidenciado por achados de neuroimagem ou EEG. No caso descrito, o paciente teve uma única crise, sem febre e sem histórico familiar, e o exame neurológico pós-crise foi normal. Isso o classifica como tendo uma crise não provocada isolada. O diagnóstico de epilepsia não pode ser feito neste momento, sendo necessário aguardar a ocorrência de uma segunda crise ou a identificação de fatores de alto risco para recorrência. A alternativa correta reflete essa compreensão dos critérios diagnósticos, diferenciando uma crise isolada de um quadro epiléptico estabelecido.

Perguntas Frequentes

Quantas crises são necessárias para diagnosticar epilepsia?

O diagnóstico de epilepsia geralmente requer a ocorrência de no mínimo duas crises não provocadas, com mais de 24 horas de intervalo.

Uma única crise não provocada significa epilepsia?

Não necessariamente. Uma única crise não provocada não é suficiente para o diagnóstico de epilepsia, a menos que haja um alto risco de recorrência.

O que é uma crise sintomática aguda?

É uma crise provocada por uma causa identificável e reversível, como febre, distúrbios metabólicos ou trauma agudo, e não constitui epilepsia.

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